Este blog é uma tribuna livre de defesa dos espaços públicos em Belo Horizonte. Propositalmente, é inaugurado no mesmo dia (25/3/10) em que o prefeito Márcio Lacerda visita Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá e uma das maiores autoridades em qualidade de vida nas grandes cidades, defensor de uma bandeira que este blog sustenta: o pedestre é mais importante que o carro.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Uma pracinha no asfalto
Há alguns dias fiz a entrevista abaixo para o jornal Cometa
Itabirano. Hoje passei no local e a "pracinha" tinha sido desmontada.
Não sei por quem. O banco desapareceu, os vasos também e os tufos de
grama estavam empilhados dentro de caixas de papelão. Um carro ocupava a
vaga.
Uma pracinha no asfalto
Estudantes de arquitetura e urbanismo querem que os belo-horizontinos tomem de volta as ruas roubadas pelos automóveis. Na Rua Campanha, no Bairro Carmo, à sombra de uma árvore, eles puseram grama sobre o asfalto, sobre a grama instalaram um banco de jardim e vasos de plantas, transformando o espaço antes ocupado por um carro numa inesperada e simpática pracinha. Conseguiram assim provocar a curiosidade e a reflexão dos moradores, muitos dos quais se manifestaram com entusiasmo, fixando bilhetes no local. Feliz em saber que os futuros urbanistas e arquitetos estão preocupados com a qualidade de vida em Belo Horizonte, o Cometa conversou com a estudante Manuela Ferreira Torres, uma das responsáveis pela iniciativa, juntamente com seus colegas Ana Cláudia Sad Françoso, Pedro Veloso e Fabiano Nardy de Moraes. Eles são alunos do terceiro período do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMG e participam do projeto Passear (Projeto de Arquitetura Sobre Sua Experiência de Apropriar-se da Rua), que faz parte da disciplina PRJ 089 (Projeto para a Rua e para o Bairro), ministrada pelos professores Wellington Cançado e Roberto Andrés. A seguir a entrevista.
Cometa – O que vocês querem?
Manuela – Chamar a atenção para a supremacia do automóvel sobre o pedestre sofrida hoje na cidade de Belo Horizonte. Esta questão está enraizada na cultura brasileira – ter carro é um condicionante para elevar o status social – e se reflete em uma urbanização que marginaliza o pedestre e os meios de transporte alternativos (bicicleta, skate e outros).
Cometa – Por que escolheram a Rua Campanha?
Manuela – Cada grupo se dedicou à rua de um de seus integrantes para a realização de um projeto, levantando seus problemas e potencialidades de uso. A Rua Campanha é um exemplo nítido dessa urbanização que privilegia o automóvel em detrimento dos pedestres. Com suas calçadas de 150 cm, qualquer obstáculo (árvore, lixo, lixeira etc.) afunila a passagem do usuário a pé e não reserva nenhum espaço para sua permanência (banco, encosto etc.). O uso da rua se dá, majoritariamente, pelo automóvel. São duas faixas de estacionamento ao longo de toda a rua, dificultando o contato entre as pessoas e delas com o espaço urbano.
Cometa – Quais foram os resultados até agora?
Manuela – Muitos moradores e transeuntes admiraram a iniciativa e aprovaram a ocupação de uma vaga pelos cidadãos. Recebemos grande apoio do Clic! [Centro Lúdico de Interação e Cultura, que funciona no mesmo quarteirão] e dos vizinhos do prédio imediatamente ao lado da vaga. Entretanto, outros moradores se posicionaram contra o projeto e até o boicotaram – roubaram plantas e desfizeram o leiaute original.
Cometa – O que vocês pretendem fazer daqui pra frente?
Manuela – Pretendemos levar o projeto adiante tornando-o mais durável e sustentável para que a população local possa assumi-lo, se for de seu interesse. Também pretendemos continuar a disseminar a ideia do projeto, com ajuda das redes sociais, abrindo espaço para a discussão e engajamento da população na causa.
Uma pracinha no asfalto
Estudantes de arquitetura e urbanismo querem que os belo-horizontinos tomem de volta as ruas roubadas pelos automóveis. Na Rua Campanha, no Bairro Carmo, à sombra de uma árvore, eles puseram grama sobre o asfalto, sobre a grama instalaram um banco de jardim e vasos de plantas, transformando o espaço antes ocupado por um carro numa inesperada e simpática pracinha. Conseguiram assim provocar a curiosidade e a reflexão dos moradores, muitos dos quais se manifestaram com entusiasmo, fixando bilhetes no local. Feliz em saber que os futuros urbanistas e arquitetos estão preocupados com a qualidade de vida em Belo Horizonte, o Cometa conversou com a estudante Manuela Ferreira Torres, uma das responsáveis pela iniciativa, juntamente com seus colegas Ana Cláudia Sad Françoso, Pedro Veloso e Fabiano Nardy de Moraes. Eles são alunos do terceiro período do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMG e participam do projeto Passear (Projeto de Arquitetura Sobre Sua Experiência de Apropriar-se da Rua), que faz parte da disciplina PRJ 089 (Projeto para a Rua e para o Bairro), ministrada pelos professores Wellington Cançado e Roberto Andrés. A seguir a entrevista.
Cometa – O que vocês querem?
Manuela – Chamar a atenção para a supremacia do automóvel sobre o pedestre sofrida hoje na cidade de Belo Horizonte. Esta questão está enraizada na cultura brasileira – ter carro é um condicionante para elevar o status social – e se reflete em uma urbanização que marginaliza o pedestre e os meios de transporte alternativos (bicicleta, skate e outros).
Cometa – Por que escolheram a Rua Campanha?
Manuela – Cada grupo se dedicou à rua de um de seus integrantes para a realização de um projeto, levantando seus problemas e potencialidades de uso. A Rua Campanha é um exemplo nítido dessa urbanização que privilegia o automóvel em detrimento dos pedestres. Com suas calçadas de 150 cm, qualquer obstáculo (árvore, lixo, lixeira etc.) afunila a passagem do usuário a pé e não reserva nenhum espaço para sua permanência (banco, encosto etc.). O uso da rua se dá, majoritariamente, pelo automóvel. São duas faixas de estacionamento ao longo de toda a rua, dificultando o contato entre as pessoas e delas com o espaço urbano.
Cometa – Quais foram os resultados até agora?
Manuela – Muitos moradores e transeuntes admiraram a iniciativa e aprovaram a ocupação de uma vaga pelos cidadãos. Recebemos grande apoio do Clic! [Centro Lúdico de Interação e Cultura, que funciona no mesmo quarteirão] e dos vizinhos do prédio imediatamente ao lado da vaga. Entretanto, outros moradores se posicionaram contra o projeto e até o boicotaram – roubaram plantas e desfizeram o leiaute original.
Cometa – O que vocês pretendem fazer daqui pra frente?
Manuela – Pretendemos levar o projeto adiante tornando-o mais durável e sustentável para que a população local possa assumi-lo, se for de seu interesse. Também pretendemos continuar a disseminar a ideia do projeto, com ajuda das redes sociais, abrindo espaço para a discussão e engajamento da população na causa.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Justiça manda prefeitura indenizar pedestre
Em São Paulo. Imagina se esses juízes decidem dar uma voltinha nos passeios de Belo Horizonte.
Do Última Instância.
Pedestre é indenizada após queda em calçada irregular
O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) manteve indenização por danos morais, no valor de R$ 3 mil, a pedestre que sofreu uma queda em calçada irregular, na cidade de São Vicente, que resultou em fratura no seu tornozelo. O pedido de indenização por danos materiais e estéticos foi negado.
A Prefeitura de São Vicente, em sua apelação, afirmou que não havia buraco ou desnível na calçada, portanto, não era responsabilidade da administração municipal. Além disso, requereu a reconsideração da indenização por danos materiais e estéticos, bem como a por danos morais, no valor de R$ 3 mil, por não terem sido comprovadas as despesas alegadas. Requereu redução da verba honorária de R$ 2.900,00.
O relator Marrey Uint, em seu voto, declarou que "é fato incontroverso que o acidente ocorreu tendo em vista a declaração de testemunha que afirmou 'saber no ato que a requerente escorregara na calçada, a qual não tinha piso antiderrapante e tinha buraco', sendo que o depoente é pedreiro e por isso entende que no caso caberia o piso antiderrapante". A testemunha afirmou que a pedestre demorou de três a quatro meses para se recuperar.
A íntegra.
Do Última Instância.
Pedestre é indenizada após queda em calçada irregular
O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) manteve indenização por danos morais, no valor de R$ 3 mil, a pedestre que sofreu uma queda em calçada irregular, na cidade de São Vicente, que resultou em fratura no seu tornozelo. O pedido de indenização por danos materiais e estéticos foi negado.
A Prefeitura de São Vicente, em sua apelação, afirmou que não havia buraco ou desnível na calçada, portanto, não era responsabilidade da administração municipal. Além disso, requereu a reconsideração da indenização por danos materiais e estéticos, bem como a por danos morais, no valor de R$ 3 mil, por não terem sido comprovadas as despesas alegadas. Requereu redução da verba honorária de R$ 2.900,00.
O relator Marrey Uint, em seu voto, declarou que "é fato incontroverso que o acidente ocorreu tendo em vista a declaração de testemunha que afirmou 'saber no ato que a requerente escorregara na calçada, a qual não tinha piso antiderrapante e tinha buraco', sendo que o depoente é pedreiro e por isso entende que no caso caberia o piso antiderrapante". A testemunha afirmou que a pedestre demorou de três a quatro meses para se recuperar.
A íntegra.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Nem Bogotá aguentou tanto carro
Belo Horizonte tem um terço da população da capital colombiana e uma planta projetada por Aarão Reis que possibilita o transporte coletivo integrado por ônibus, desde que pare de crescer: uma linha na Avenida do Contorno, uma linha em cada grande avenida que leva a cada região e linhas de ônibus menores transitando dentro dos bairros. O que lhe falta são planejadores. Porque planejar exige confrontar as características intrínsecas do capitalismo -- individualismo, imediatismo e lucro -- em nome dos interesses da coletividade, da qualidade de vida e do futuro. O carro é o bem material que evidencia isso mais do que qualquer outro, mas prevalece porque os interesses da indústria automobilística e de tudo que a rodeia (empreiteiras, políticos, publicidade, televisão, indústria de autopeças, oficinas diversas) são mais fortes. Passar de um sistema a outro é o atual desafio da humanidade. Sem isso, nem a cidade de Enrique Peñalosa aguenta. Planejamento também significa impôr limites à construção de edifícios, privilegiar áreas públicas e verdes, descentralizar os serviços, promover a expansão horizontal, implantar infra-estrutura antes que a ocupação aconteça -- enfim, o oposto do que a administração Lacerda faz em Belo Horizonte, por exemplo.
Do Opera Mundi.
Referência em transporte público, Bogotá virou refém do trânsito após salto populacional
Terceira cidade mais populosa da América do Sul, Bogotá sofre com trânsito diário. Apesar de ser exemplo de transporte público na América Latina, obriga seus moradores a alterarem sua rotina em função do trânsito caótico da cidade. O Transmilenio, sistema de corredores de ônibus criado em 2000, não dá mais conta do crescimento populacional – Bogotá abriga atualmente mais de 7,5 milhões de habitantes.
Assim que desembarca na capital colombiana, além de escutar sugestões para visitar pontos como a Catedral de Sal, em Zipaquirá, o viajante também recebe alertas sobre as horas de pico (das 7h30 às 10h e das 15h30 às 20h). Nesses períodos, as filas para pegar o Transmilênio são enormes e o tempo de espera pode chegar a até uma hora. A alternativa, então, poderia ser um táxi. Mas não é bem assim.
Nas principais atrações turísticas da cidade, é possível conseguir um carro especial (sem logotipo e o sistema de cobrança municipal), mas pode gastar até o dobro do que em uma corrida normal. No resto da capital colombiana, a cena mais comum é um taxista encostar o carro, perguntar o destino do passageiro e desistir. Com o tráfego parado, as buzinas são constantes mesmo nas ruas mais estreitas e, nesse cenário, os motoristas pensam duas vezes se a viagem realmente compensa.
A íntegra.
Do Opera Mundi.
Referência em transporte público, Bogotá virou refém do trânsito após salto populacional
Terceira cidade mais populosa da América do Sul, Bogotá sofre com trânsito diário. Apesar de ser exemplo de transporte público na América Latina, obriga seus moradores a alterarem sua rotina em função do trânsito caótico da cidade. O Transmilenio, sistema de corredores de ônibus criado em 2000, não dá mais conta do crescimento populacional – Bogotá abriga atualmente mais de 7,5 milhões de habitantes.
Assim que desembarca na capital colombiana, além de escutar sugestões para visitar pontos como a Catedral de Sal, em Zipaquirá, o viajante também recebe alertas sobre as horas de pico (das 7h30 às 10h e das 15h30 às 20h). Nesses períodos, as filas para pegar o Transmilênio são enormes e o tempo de espera pode chegar a até uma hora. A alternativa, então, poderia ser um táxi. Mas não é bem assim.
Nas principais atrações turísticas da cidade, é possível conseguir um carro especial (sem logotipo e o sistema de cobrança municipal), mas pode gastar até o dobro do que em uma corrida normal. No resto da capital colombiana, a cena mais comum é um taxista encostar o carro, perguntar o destino do passageiro e desistir. Com o tráfego parado, as buzinas são constantes mesmo nas ruas mais estreitas e, nesse cenário, os motoristas pensam duas vezes se a viagem realmente compensa.
A íntegra.
sábado, 23 de março de 2013
Jovens rejeitam carros
Matéria interessante. A mudança de mentalidade é decisiva para que a humanidade supere os gigantescos problemas que estão nos levando para a barbárie. As gerações que têm mais de trinta anos -- esta idade já foi emblemática: "não confie em ninguém com mais de trinta anos", dizia o lema dos anos 60 -- construíram esse mundo que os jovens estão herdando e terão de mudar para viver com a qualidade de vida que já faz parte do passado.
Do saite Mobilize.
Desinteresse dos jovens por carros preocupa montadora
A geração entre 18 e 24 anos está se importando mais com os outros e com o mundo em que vivem
Maria Fernanda Cavalcanti
Um recente artigo do The New York Times, da jornalista Amy Chozick, é mais uma prova de que os jovens mudaram. A geração entre 18 e 24 anos está se importando mais com os outros e com o mundo em que vivem, superando antigos valores e necessidades de consumo que já não os convencem e, muito menos, os satisfazem. Uma dessas mudanças importantes está no modo com que os jovens se relacionam com a mobilidade.
Há poucas décadas, o carro representava o ideal de liberdade para muitas gerações. Hoje, com ruas congestionadas, doenças respiratórias e falta de espaço para as pessoas nas cidades, os jovens se deram conta de que isso não tem nada a ver com ser livre, e passaram a valorizar meios de transporte mais limpos e acessíveis, como bicicleta, ônibus e trajetos a pé. Além do mais, “hoje Facebook, Twitter e mensagens de texto permitem que os adolescentes e jovens de 20 e poucos anos se conectem sem rodas. O preço alto da gasolina e as preocupações ambientais não ajudam em nada”, diz o artigo.
A íntegra.
Do saite Mobilize.
Desinteresse dos jovens por carros preocupa montadora
A geração entre 18 e 24 anos está se importando mais com os outros e com o mundo em que vivem
Maria Fernanda Cavalcanti
Um recente artigo do The New York Times, da jornalista Amy Chozick, é mais uma prova de que os jovens mudaram. A geração entre 18 e 24 anos está se importando mais com os outros e com o mundo em que vivem, superando antigos valores e necessidades de consumo que já não os convencem e, muito menos, os satisfazem. Uma dessas mudanças importantes está no modo com que os jovens se relacionam com a mobilidade.
Há poucas décadas, o carro representava o ideal de liberdade para muitas gerações. Hoje, com ruas congestionadas, doenças respiratórias e falta de espaço para as pessoas nas cidades, os jovens se deram conta de que isso não tem nada a ver com ser livre, e passaram a valorizar meios de transporte mais limpos e acessíveis, como bicicleta, ônibus e trajetos a pé. Além do mais, “hoje Facebook, Twitter e mensagens de texto permitem que os adolescentes e jovens de 20 e poucos anos se conectem sem rodas. O preço alto da gasolina e as preocupações ambientais não ajudam em nada”, diz o artigo.
A íntegra.
PBH e PM pedem respeito, mas não respeitam
domingo, 18 de novembro de 2012
A cidade é feita de gente na rua, diz Peñalosa
Entrevista com o prefeito colombiano que Lacerda visitou, para aprender. Aprendeu e fez tudo ao contrário.
Do O Estado de S. Paulo.
O urbanismo contra-ataca. Entrevista com Enrique Peñalosa
Por Juliana Sayuri
Prefeito de Bogotá entre 1998 e 2011, o urbanista transformou a capital colombiana com ações focadas em mobilidade e sustentabilidade, reduzindo drasticamente o índice de homicídios na cidade, antes considerada uma das mais violentas da América Latina. Já fez conferências em universidades como USP, PUC-RJ, Princeton, London School of Economics, Harvard, Chicago e Colúmbia, e assessorou governos na Ásia, África, Américas e Europa com estratégias e políticas urbanas. Neste ano, visitou São Paulo e Porto Alegre, onde participou do Fronteiras do Pensamento, em junho.
"Uma cidade se expressa, vibra, vive. É feita de gente na rua", diz ao Aliás. "O papel do Estado é estar presente, em todos os cantos da cidade. Que não haja rincões que fiquem à margem. Se o Estado não respeita a vida humana, por que os bandidos o fariam?", questiona. "Devemos mostrar símbolos de igualdade e de democracia. São bibliotecas, ciclovias, colégios, parques, ruas iluminadas. E, principalmente, gente ocupando esses espaços públicos", destaca. Seguindo as ideias de Enrique Peñalosa, talvez falte mostrar, sem pieguice, que ainda existe amor em SP. Eis a entrevista.
- São Paulo está vivendo uma onda de violência que obteve repercussão internacional. Que paralelo podemos traçar com Bogotá, que já foi considerada uma das cidades mais violentas da América Latina?
- Posso comentar a experiência de Bogotá, onde a segurança melhorou desde o fim da década de 1990. Essa melhoria ocorreu na capital, antes de ocorrer no país como um todo. Não foi consequência de uma mudança diretamente relacionada às políticas do presidente Álvaro Uribe, mas de uma série de medidas do poder municipal. Não há fórmulas fechadas, mas posso propor teorias: é a cidade. A chave é a própria cidade.
- Como assim?
- A cidade se expressa, vibra, vive. E uma cidade só se faz com gente na rua. Mas, para isso, as pessoas precisam se sentir seguras nas ruas. Os cidadãos precisam sentir que há legitimidade -- o que é muito importante, mas altamente subjetivo. Explico: o Estado precisa ser considerado legítimo pelos cidadãos. É corrupto? É íntegro? Está dedicado a atender às necessidades dos mais vulneráveis para construir, de alguma maneira, uma sociedade mais igualitária? Se há legitimidade, os cidadãos tendem a compreender e cumprir determinadas normas, reportar e pedir punição aos que violam essas normas. Prefiro ilustrar essa história assim: há 15 anos, dizia-se muito a expressão "cójalo, cójalo, suéltelo, suéltelo" em Bogotá. Exemplo: um ladrão roubou a carteira de uma senhora. Aí toda a gente gritava: cójalo, cójalo! Uma vez preso, porém, muita gente começava a dizer: no, suéltelo, suéltelo! Deixe-o ir. Isto é, de alguma maneira, a sociedade sentia que a situação era tão injusta que a polícia não tinha nem autoridade moral nem legitimidade para poder prender e castigar esses delinquentes. Mas a atitude mudou nestes últimos tempos. As pessoas precisam respeitar um governo, e não temê-lo. Nesse sentido, o papel do Estado é estar presente, em todos os cantos da cidade. Que não haja rincões que fiquem à margem. Essa presença não se refere só à polícia, mas a projetos de educação, saúde e demais serviços sociais, atendendo a todas as tarefas que deve atender. Afinal, segurança não é só assunto de polícia.
A íntegra.
Do O Estado de S. Paulo.
O urbanismo contra-ataca. Entrevista com Enrique Peñalosa
Por Juliana Sayuri
Prefeito de Bogotá entre 1998 e 2011, o urbanista transformou a capital colombiana com ações focadas em mobilidade e sustentabilidade, reduzindo drasticamente o índice de homicídios na cidade, antes considerada uma das mais violentas da América Latina. Já fez conferências em universidades como USP, PUC-RJ, Princeton, London School of Economics, Harvard, Chicago e Colúmbia, e assessorou governos na Ásia, África, Américas e Europa com estratégias e políticas urbanas. Neste ano, visitou São Paulo e Porto Alegre, onde participou do Fronteiras do Pensamento, em junho.
"Uma cidade se expressa, vibra, vive. É feita de gente na rua", diz ao Aliás. "O papel do Estado é estar presente, em todos os cantos da cidade. Que não haja rincões que fiquem à margem. Se o Estado não respeita a vida humana, por que os bandidos o fariam?", questiona. "Devemos mostrar símbolos de igualdade e de democracia. São bibliotecas, ciclovias, colégios, parques, ruas iluminadas. E, principalmente, gente ocupando esses espaços públicos", destaca. Seguindo as ideias de Enrique Peñalosa, talvez falte mostrar, sem pieguice, que ainda existe amor em SP. Eis a entrevista.
- São Paulo está vivendo uma onda de violência que obteve repercussão internacional. Que paralelo podemos traçar com Bogotá, que já foi considerada uma das cidades mais violentas da América Latina?
- Posso comentar a experiência de Bogotá, onde a segurança melhorou desde o fim da década de 1990. Essa melhoria ocorreu na capital, antes de ocorrer no país como um todo. Não foi consequência de uma mudança diretamente relacionada às políticas do presidente Álvaro Uribe, mas de uma série de medidas do poder municipal. Não há fórmulas fechadas, mas posso propor teorias: é a cidade. A chave é a própria cidade.
- Como assim?
- A cidade se expressa, vibra, vive. E uma cidade só se faz com gente na rua. Mas, para isso, as pessoas precisam se sentir seguras nas ruas. Os cidadãos precisam sentir que há legitimidade -- o que é muito importante, mas altamente subjetivo. Explico: o Estado precisa ser considerado legítimo pelos cidadãos. É corrupto? É íntegro? Está dedicado a atender às necessidades dos mais vulneráveis para construir, de alguma maneira, uma sociedade mais igualitária? Se há legitimidade, os cidadãos tendem a compreender e cumprir determinadas normas, reportar e pedir punição aos que violam essas normas. Prefiro ilustrar essa história assim: há 15 anos, dizia-se muito a expressão "cójalo, cójalo, suéltelo, suéltelo" em Bogotá. Exemplo: um ladrão roubou a carteira de uma senhora. Aí toda a gente gritava: cójalo, cójalo! Uma vez preso, porém, muita gente começava a dizer: no, suéltelo, suéltelo! Deixe-o ir. Isto é, de alguma maneira, a sociedade sentia que a situação era tão injusta que a polícia não tinha nem autoridade moral nem legitimidade para poder prender e castigar esses delinquentes. Mas a atitude mudou nestes últimos tempos. As pessoas precisam respeitar um governo, e não temê-lo. Nesse sentido, o papel do Estado é estar presente, em todos os cantos da cidade. Que não haja rincões que fiquem à margem. Essa presença não se refere só à polícia, mas a projetos de educação, saúde e demais serviços sociais, atendendo a todas as tarefas que deve atender. Afinal, segurança não é só assunto de polícia.
A íntegra.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Minha Casa Minha Vida e a impermeabilização das cidades
"Dá calafrios imaginar que o modelo de incentivo à construção do governo Lula e do governo Dilma é parecido com o modelo do governo Medici. [...] Expandir as cidades ad infinitum em um momento em que a taxa de natalidade está abaixo do nível de reposição implica cair na armadilha norte-americana de abandonar o centro. Isto só faz sentido na lógica do capital imobiliário que precisa continuar comprando terra barata e vendendo caro. E se for para fazer apartamentos de R$ 50 mil, que seja sem risco. A raiz desta ideia é a mesma em Belo Monte, no PAC ou no Minha Casa Minha Vida: tudo se resolve com mais asfalto e mais cimento." Vale a pena ler o artigo na íntegra.
Da revista Fórum.
O paradigma do asfalto
Por Fernando Luiz Lara.
[...] Demoramos quase um século para aprender que favela não é um problema, mas sim uma solução precária e incompleta. Mas a maior ironia (para não dizer tragédia) é perceber que o modelo persiste, agora rebatizado de Minha Casa Minha Vida. São R$ 12 bilhões por ano para construir habitação preferencialmente para famílias cuja renda esteja abaixo de R$ 1.600. Mas basta uma análise preliminar das diretrizes de financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF) para perceber o atraso conceitual do programa. Para começar, a CEF dita um valor máximo de financiamento de R$ 58 mil por unidade no caso de SP e DF (os mais caros). Descontado o custo da construção (aproximadamente R$ 1 mil por m² ou cerca de R$ 45 mil por apartamento) sobram R$ 13 mil para pagar o terreno e todas as obras de infraestrutura interna, incluindo escadas e caixas d'água, por exemplo, que são, há de se convir, absolutamente fundamentais. No caso da infraestrutura externa ao edifício, cabe à prefeitura (quase sempre) ou às construtoras (absolutamente nunca) pagar por tudo. É como se calçadas, pontos de ônibus, áreas de lazer, parquinhos, campos de futebol ou mesmo a simples arborização fossem luxos e não componentes essenciais de qualidade de vida. Como no velho BNH, a CEF financia as construtoras e repassa a dívida na forma de hipotecas para os moradores qualificados. Como no velho BNH, as construtoras não têm nenhum risco. Elaboram projetos simplistas, muitas vezes cópias de desenhos que a própria CEF fornece. Compram terrenos baratos na periferia longínqua, aprovam um arruamento básico a ser executado com o uso de apenas uma máquina motoniveladora, convencem a prefeitura a estender as redes de água, luz e esgoto e constroem as casas ou apartamentos da forma mais barata e mais rápida possível. Terminada a obra e recebido o dinheiro, o lucro é simples, o risco é mínimo. A conta de verdade cai no colo da prefeitura, que no futuro próximo vai ser pressionada a fornecer toda a infraestrutura que devia ter sido feita junto com as unidades habitacionais. Praças, quadras de esporte, calçadas, linhas de ônibus, sinais de trânsito, escolas, creches, clínicas e parques. Tudo isso vai demorar anos, talvez décadas para ser construído, com efeitos negativos na qualidade de vida, na saúde e na produtividade de quem mora aí. E o primeiro a chegar vai ser o asfalto. Antes da creche ou do posto de saúde, antes do parque e infelizmente antes das árvores, chega o asfalto. O que não é de se estranhar, dado que os moradores das periferias das grandes cidades passam em média três horas por dia em ônibus e vans, um custo altíssimo que não é nunca computado nesta equação. Enquanto os centros das grandes cidades se esvaziam a olhos vistos, continuamos com esta expansão irracional.
A íntegra.
Da revista Fórum.
O paradigma do asfalto
Por Fernando Luiz Lara.
[...] Demoramos quase um século para aprender que favela não é um problema, mas sim uma solução precária e incompleta. Mas a maior ironia (para não dizer tragédia) é perceber que o modelo persiste, agora rebatizado de Minha Casa Minha Vida. São R$ 12 bilhões por ano para construir habitação preferencialmente para famílias cuja renda esteja abaixo de R$ 1.600. Mas basta uma análise preliminar das diretrizes de financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF) para perceber o atraso conceitual do programa. Para começar, a CEF dita um valor máximo de financiamento de R$ 58 mil por unidade no caso de SP e DF (os mais caros). Descontado o custo da construção (aproximadamente R$ 1 mil por m² ou cerca de R$ 45 mil por apartamento) sobram R$ 13 mil para pagar o terreno e todas as obras de infraestrutura interna, incluindo escadas e caixas d'água, por exemplo, que são, há de se convir, absolutamente fundamentais. No caso da infraestrutura externa ao edifício, cabe à prefeitura (quase sempre) ou às construtoras (absolutamente nunca) pagar por tudo. É como se calçadas, pontos de ônibus, áreas de lazer, parquinhos, campos de futebol ou mesmo a simples arborização fossem luxos e não componentes essenciais de qualidade de vida. Como no velho BNH, a CEF financia as construtoras e repassa a dívida na forma de hipotecas para os moradores qualificados. Como no velho BNH, as construtoras não têm nenhum risco. Elaboram projetos simplistas, muitas vezes cópias de desenhos que a própria CEF fornece. Compram terrenos baratos na periferia longínqua, aprovam um arruamento básico a ser executado com o uso de apenas uma máquina motoniveladora, convencem a prefeitura a estender as redes de água, luz e esgoto e constroem as casas ou apartamentos da forma mais barata e mais rápida possível. Terminada a obra e recebido o dinheiro, o lucro é simples, o risco é mínimo. A conta de verdade cai no colo da prefeitura, que no futuro próximo vai ser pressionada a fornecer toda a infraestrutura que devia ter sido feita junto com as unidades habitacionais. Praças, quadras de esporte, calçadas, linhas de ônibus, sinais de trânsito, escolas, creches, clínicas e parques. Tudo isso vai demorar anos, talvez décadas para ser construído, com efeitos negativos na qualidade de vida, na saúde e na produtividade de quem mora aí. E o primeiro a chegar vai ser o asfalto. Antes da creche ou do posto de saúde, antes do parque e infelizmente antes das árvores, chega o asfalto. O que não é de se estranhar, dado que os moradores das periferias das grandes cidades passam em média três horas por dia em ônibus e vans, um custo altíssimo que não é nunca computado nesta equação. Enquanto os centros das grandes cidades se esvaziam a olhos vistos, continuamos com esta expansão irracional.
A íntegra.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
sábado, 31 de julho de 2010
Os inimigos da qualidade de vida
A qualidade de vida nas grandes cidades tem dois grandes inimigos: a indústria automobilística e a indústria da construção civil. Os carros entopem as ruas, engarrafam o trânsito, poluem o ar com fumaça, buzinas, alarmes e rugir de motores. A construção civil acaba com os espaços públicos e com as construções horizontais, civilizadas. No entanto, os dois setores são celebrados pelos governos e pela "grande" imprensa, pois quando vão bem é sinal de que há crescimento econômico. A população se endivida para comprar um carro último modelo e realizar o sonho da casa própria. Só um novo modelo econômico, que privilegie a qualidade de vida e a relação equilibrada dos seres humanos com o meio ambiente pode mudar essa situação que caminha para catástrofes cada vez maiores.


quinta-feira, 1 de julho de 2010
A praça da Coca-Cola e da Fifa
A Praça JK foi transformada num grande painel de propaganda da Coca-Cola. Parte da pista de caminhada foi ocupada com estrutura da cerca que reservou a área para o evento da Fifa. Pelo visto, não sou o único a protestar. Este é o conceito que a atual administração de Belo Horizonte, a mesma que proibiu o uso da Praça da Estação pela população, tem dos espaços públicos. Espaços para serem alugados à iniciativa privada, para gerar renda para a prefeitura. O prefeito Lacerda não aproveitou nada da conversa que teve com Enrique Penãlosa.


quinta-feira, 10 de junho de 2010
Artecon transforma passeio em depósito
A situação dos passeios é curiosa. Os moradores não cuidam deles, pois são áreas públicas, mas se apossam deles quando precisam, como se fossem áreas particulares. O melhor exemplo é a construção civil, que transforma passeios em canteiros de obras e depósitos, como esta obra da Artecon, na Rua Campanha, Bairro do Carmo. Quando não é aço, é tijolo. Na cidade sem lei, a prefeitura não toma conhecimento.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Obstáculo na pista de caminhada da Praça JK
O desrespeito ao pedestre é cultural. Na Praça JK (chamar de parque aquele espaço é um exagero), um evento ocupou e cercou uma grande área, mas não era o bastante: fechou também uma das pistas de caminhada. Por quê? Não era preciso, é só porque não se tem mesmo consideração pelo pedestre – nem pelo pedestre que faz caminhada. Informam-me que o "evento" é a transmissão dos jogos da Copa do Mundo, patrocinada pelo Coca-Cola, o que significa que ficará assim durante mais de um mês.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Tem gente pensando no colapso das cidades
O que mais me impressiona é como especialistas estão percebendo agora problemas que qualquer morador comum percebe há décadas.
terça-feira, 1 de junho de 2010
A árvore cocozenta
Algumas crianças a chamam de árvore cocozenta, outras, de árvores xixizenta. É a árvore privada da Rua Campanha. Um belo flamboyant, imenso, que ensombra a rua com seus galhos e folhagens. O tronco largo forma, com as raízes expostas, uma espécie de assento que acumula lixo e mau cheiro, daí o apelido que ganhou. Merecia estar em outro lugar que não o passeio, do qual só deixou um cantinho livre.
sábado, 29 de maio de 2010
Para não atrapalhar o trânsito, operações barulhentas agora são noturnas
Achei esse vídeo na rede. Não é em Belo Horizonte, é em Brasília, mas me lembrou a novidade dos caminhões de lixo funcionando de madrugada. Construções também: dias desses a BHTrans coordenou uma operação na minha rua para transporte de uma máquina pesada num caminhão imenso . Durou quase duas horas, das onze da noite à uma da manhã. Para não atrapalhar o trânsito. O descanso dos moradores não tem importância. Parece que está se tornando norma nas grandes cidades brasileiras.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Ópera no Mercado Central
Tudo a ver com este blog: apropriação dos espaços públicos pelos cidadãos. A inesperada e surpreendente ópera no Mercado Central numa manhã de sábado (8/5/10).
terça-feira, 11 de maio de 2010
Carga, descarga e estacionamento


Um problema que tem em toda parte: a loja (neste caso, a Persi Max, na Rua Pium-í) derruba o muro e usa a frente do imóvel como estacionamento. Acontece que no espaço não cabe nem mesmo um pequeno Uno, o que dizer de uma caminhonete de transporte de carga. Às vezes não sobra nem um cantinho para o pedestre passar.
domingo, 9 de maio de 2010
Por que os tapumes avançam tanto nos passeios?
Esta obra, no fim da Rua Pium-í, quase esquina com Avenida Bandeirantes, envolve dois prédios, num dos quais morava o vice-presidente da República, José Alencar. Não dá para saber o que será feito, mas o tapume tomou grande parte do passeio. No ponto em que há um poste, quase nada sobrou para a passagem dos pedestres. Sem falar da caçamba.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Organizações políticas arcaicas
O sistema de representação política da sociedade brasileira é arcaico. A população se multiplicou e se concentrou em cidades gigantescas. Hoje, um bairro de uma megalópole tem a população de uma cidade, mas continuamos sendo governados por um prefeito e uma câmara de vereadores. Eles nem imaginam o que se passa num bairro e a administração pública não tem a menor capacidade de dar resposta aos problemas locais, antes resolvidos pelos próprios moradores, poucos, que se conheciam, hoje anônimos. Essa obsolescência do modelo de representação nos dá a sensação de abandono e de distanciamento dos nossos representantes, que sequer conhecemos. Como se a política fosse assunto exclusivo desses 42 cidadãos eleitos de quatro em quatro anos. Quantas vezes, em 2009, qualquer um de nós falou com o vereador no qual votou em 2008 (se é que elegeu seu candidato)? Qual de nós já viu o prefeito pessoalmente? Quem sabe quem é o "administrador regional" do seu bairro? A gente não mora apenas num país, num estado, numa cidade, a gente mora efetivamente num quarteirão, numa rua, num bairro. Na verdade, cada vez mais a gente vive nos dois extremos: num bairro (porque a cidade ficou grande demais) e no planeta (porque o mundo ficou pequeno com as telecomunicações, com a informática, com os aviões, com a economia globalizada e com as mudanças climáticas). Os problemas que nos atingem ou são universais ou estão perto das nossas casas (cada vez mais apartamentos) e não há ninguém para resolvê-los, nem numa esfera nem noutra. Na esfera local, 41 vereadores para representar 2,4 milhões de pessoas não são só um número ridículo, são também um modelo político arcaico, assim como é insuficiente um prefeito para uma cidade tão grande. Por que essa concentração de poder? Por que não temos câmaras de bairros, administradores de quarteirões? É o mínimo de organização administrativa que o crescimento das cidades exige.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Outro caso típico
Na Avenida Bandeirantes, o passeio aparentemente é enorme e o piso não é dos piores, mas se repararmos bem, não sobra espaço para o pedestre. Belas árvores frondosas, que enfeitam, dão sombra e oxigenam a selva de concreto, ocupam bem mais de um metro de largura. O projeto arquitetônico recuou o prédio, mas o recuo é ocupado por carros e motos, comumente mais do que na foto. E tem também lixo. É um bom exemplo de como o passeio é lugar para tudo, menos para o pedestre.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Bonito, mas inadequado
Quando eu falei de um passeio bonito estava me referindo a este, em frente ao Butiquim Mineiro, que recebeu cuidados de paisagismo, como se pode observar. Uma graminha simpática, bom piso e o toco de uma árvore transformado em canteiro, com flores delicadas. No entanto, só restou um cantinho para o pedestre passar, seguindo a guia, junto aos cactos. Os passeios da cidade estão cheios de tocos de árvores; árvores são cortadas, sabe-se lá por que, mas isso não se reverte em vantagem para o pedestre, porque o obstáculo continua ali. Se o distinto bar se mostrasse sensível à passagem, por exemplo, de um cadeirante, estaria perfeito.
terça-feira, 4 de maio de 2010
O que é passeio livre
É obrigação da prefeitura garantir passeios livres para os cidadãos, assim como garante o bom asfalto para os carros. O que entendo por passeio livre? Uma faixa mínima de 1,2m (um metro e vinte centímetros) completamente desimpedida (sem árvores, sem canteiros, sem postes, sem lixo, sem lixeiras, sem caixa de correio, sem orelhão, sem abrigo de ônibus, sem placas de propaganda, sem tapume ou obra de construção civil, sem banca de revista, sem mesa de bar, sem casinha de motorista de ônibus, sem veículos estacionados ou qualquer outro obstáculo), com piso regular, seguro, padronizado. Isto não significa banir árvores, canteiros, lixos, mesa de bar etc., significa colocá-los além dessa faixa, alinhando-os e, se for preciso, retirando um pedaço do enorme espaço de asfalto destinado aos carros. Quem tem competência para manipular imagens virtuais pode pegar uma foto de passeio de hoje, simular um passeio limpo e comparar a diferença. É a diferença entre a civilização e a selva.
Cuidar dos passeios é obrigação da prefeitura
Tem um argumento que é sempre levantado pelas autoridades para justificar as péssimas condições dos passeios: cuidar deles é responsabilidade dos moradores. Ou seja: se o passeio está ruim é porque o morador não cuida do pedaço que fica em frente à sua casa ou seu edifício. Acho que é um argumento ruim, porque significa que a prefeitura não tem nada com isso, quando ela é responsável pela aplicação da lei e, portanto, pela fiscalização, por eventuais multas. Como no Brasil a impunidade é a regra, fica por isso mesmo, como na foto acima, de um passeio na decantada Avenida Bandeirantes. É preciso mudar o esdrúxulo raciocínio: assim como é responsável pelo caminho dos carros, a prefeitura também é responsável pelo caminho dos pedestres. Ou somos menos importantes do que os carros? É obrigação da prefeitura garantir passeios livres para os pedestres, da mesma forma que garante o bom asfalto para os motoristas.
Ainda na Pium-í: um caso típico
Este é um caso bastante comum nos nossos belos passeios. A árvore, protegida por uma alvenariazinha, ocupa mais da metade do passeio. O prédio, que certamente adora o verde, fez mais um canteiro de uns quarenta centímetros (em geral, esses canteirinhos no passeio são de um arbusto cheio de espinhos; por quê? Provavelmente para afastar os pedestres). Sobrou meio metro para o pedestre passar, espaço insuficiente, por exemplo, para um cadeirante. Ou para duas pessoas passarem ao mesmo tempo. Para completar, um monte de lixo. Por que o lixo não é colocado no asfalto, junto do meio-fio? Por que as lixeiras, que os belo-horizontinos prezam tanto, não são afixadas no mesmo lugar? Os carros não deixam? Neste caso, não faz muita diferença (a não ser emporcalhar a calçada), porque a árvore já impede mesmo a passagem, mas em muitos lugares é só a montanha de lixo que fecha o passeio.
Do outro lado da rua
Subindo a Rua Pium-í
Andar em qualquer rua de Belo Horizonte é presenciar uma série de desrespeitos ao pedestre. Nós é que já nos acostumamos e nem percebemos. Na Rua Pium-í, levei a câmara comigo e fui clicando, das piores às menores coisas, algumas até bonitas, mas ainda assim desrespeito ao pedestre. Esta, na foto abaixo, é das mais comuns: o passeio transformado em canteiro de obra.
Poda de árvores fecha o passeio

Um quarteirão inteiro com galhos e folhas fechando o passeio. Está certo, as árvores precisam ser podadas, o transtorno é inevitável. O que me incomoda é o desrespeito com o pedestre, obrigado a passar na rua. Pelo menos deveria ser delimitada aquela área com cones. Alguém imagina isso sendo feito com os carros? Durante uma manhã, sem aviso prévio, um caminhão estaciona, funcionários sobem em escadas, podam e enchem o asfalto de galhos; os carros, impedidos de passar, que desviem, busquem outras ruas, esperem. Não, com carros não se faz isso, a BHTrans chega, sinaliza, prega faixas com antecedência, avisa, deixa funcionários orientando o trânsito. É isso que eu não entendo: por que os carros recebem atenção das autoridades e os pedestres, não. Temos uma (grande) empresa para gerenciar o trânsito de veículos, com milhares de funcionários, gastam-se milhões em tecnologia, bilhões em oubras viárias, manutenção. E para os pedestres? Não há um órgão, uma política, um realzinho que seja destinado a melhorar as condições de trânsito para o pedestre.
domingo, 25 de abril de 2010
Lixo e garagem
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Mais uma do Prefeito Pirata
Liberação da Granja Werneck ou Mata do Isidoro para empreendimento de alto luxo. VEjam em : http://salveoisidoro.wordpress.com/ http://www.alterosa.com.br/html/noticia_interna,id_sessao=7&id_noticia=32330/noticia_interna.shtml
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Obstáculos para deficientes visuais

Mais fotos de calçadas feitas pelo fotógrafo Ronaldo Almeida, na Avenida Amazonas, quase na Praça Sete. Elas mostram o caminho tortuoso das guias para deficientes visuais, obstruídas por carrinhos de pipoca. O que mostra mais uma vez que não basta um bom projeto ou uma boa lei, se não forem bem executados e fiscalizados. Fiscalização começa com conscientização da população da importância da guia para a mobilidade dos deficientes visuais. No entanto, como pedir consciência da população, se a Prefeitura é a primeira a desrespeitar a lei, obstruindo as guias com placas de propaganda, postes e abrigos de ônibus?quarta-feira, 14 de abril de 2010
Vagas demarcadas no passeio

Este shopping, localizado na Rua Grão Mogol, esquina com Campanha, no Bairro Carmo, transformou o passeio em estacionamento. Não são apenas os carros que avançam para o passeio, as próprias vagas estão demarcadas no passeio com tinta amarela. Dependendo do tamanho do carro e da consciência do motorista, não sobra nem um centímetro para o pedestre, que passa na rua.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Cidade dos construtores

Os historiadores podem confirmar: a história econômica desta cidade é a história dos construtores. Desde Aarão Reis, e depois dele, milhares de outros construtores, vieram para esta terra construir a nova capital. Ja demoliram e construíram mais de uma, basta pesquisar a arquitetura da cidade nos anos 40, 80 e atual. Fizeram fortuna, tornaram-se políticos, mudam a lei de ocupação solo a cada modificação dos interesses próprios.
Este post é do caso Shopping Anchieta, com foto de Carlos Cândido. As famílias dos apartamentos interditados estão ha um ano morando em apart hotéis. Neste caso, as fundações do edifício ficaram completamente descobertas com o rompimento do arrimo. Alguns foram tirados de casa às 6 da manhã pela defesa civil. A demolição prevê que 25 % do prédio vai sair. Será que os apartamentos de 3 quartos vão ficar com 2 e sem banheiro?
Quem vai segurar estes contrutores que agora partiram para Nova Lima?
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Dois Coelhos
A orla da lagoa da Pampulha, na semana passada, foi cenário de um horror. Após uma preparação catastrófica - vide foto do Cristiano Trad - para o recebimento do desfile disney/nestlê, centenas de milhares de pessoas - números ainda polêmicos - foram para a região tentar ver a tal parada, e parada mesmo ficaram as pessoas. Esta gestão da prefeitura é de amarrar, digo, amargar.Neste post trato de dois assuntos polêmicos.
Guias perigosas para os deficientes visuais
Nosso blog recebe sua primeira contribuição fotográfica, do jornalista e fotógrafo Ronaldo Almeida. Não à toa a qualidade da foto é superior à usual deste blog amador. Eis seu e-mail.Fiz três fotos de um caso que já vi em outras calçadas de BH e que interessa pro seu blog pelo risco que causa a deficientes visuais. Neste caso, os pedreiros que fizeram recentemente uma obra na fachada e portaria de um prédio da esquina da Av. Bandeirantes com Rua Odilon Braga instalaram o piso direcional para deficientes visuais em direção exata ao abrigo do ponto do ônibus 4111. No dia que eles fizeram este serviço, vi o dilema deles, mas assim ficou.O que será de um deficiente que ousar se orientar por este piso? Vai bater de frente com o abrigo? Falta o quê? Orientação e fiscalização da PBH?
Abraços
Ronaldo Almeida
Comentário: O curioso nesse caso é que se trata de um passeio novo, reformado de acordo com o padrão que começou a ser implantado pela Prefeitura na administração Pimentel. Se melhora o piso, não resolve o que se propõe, isto é, ajudar o cego a se locomover. É comum ver essas guias obstruídas por carros estacionados nos passeios. Os abrigos de ônibus, quando instalados em passeios estreitos, simplesmente eliminam o passeio, e não só para deficientes. A iniciativa do passeio padrão é louvável e um passo importante, demonstra que a administração pública já percebeu o problema, mas insuficiente. Assim como há fiscais para o trânsito, é preciso haver fiscalização dos passeios, além de consciência da população e, o principal, uma política pública para devolver os espaços públicos aos pedestres.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Construção destrói passeio
Garagem no passeio 2
Garagem no passeio
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Comentário que é post
Percebi tarde mas em tempo que alguns comentários são na verdade posts de pessoas que não têm ainda acesso como colaboradores. Como este do Rico, que copio abaixo (o título é meu). Aproveito para renovar o convite: quem quiser publicar diretamente seus textos, fotos e vídeos, fique à vontade.
Cocô no passeio é o cúmulo da falta de civismo
Precisamos realmente de alguma voz para resolver este e outros problemas na região.
O passeio, que já é estreito nestas ruas, fica ainda mais intransitável pela quantidade de obstáculos: lixos, entulhos, plantas, buracos... Mas o cúmulo da falta de civismo vem dos próprios vizinhos pois os quarteirões são tomados por cocô de cachorros.
Desde os seus 2 anos que minha filha questiona porque tem dono de cachorro que é tão mal educado. Uma vergonha para o bairro, um desrespeito para os vizinhos.
Será que podemos aproveitar para fazermos uma ação educativa num fim de semana? É só combinar.
Cocô no passeio é o cúmulo da falta de civismo
Precisamos realmente de alguma voz para resolver este e outros problemas na região.
O passeio, que já é estreito nestas ruas, fica ainda mais intransitável pela quantidade de obstáculos: lixos, entulhos, plantas, buracos... Mas o cúmulo da falta de civismo vem dos próprios vizinhos pois os quarteirões são tomados por cocô de cachorros.
Desde os seus 2 anos que minha filha questiona porque tem dono de cachorro que é tão mal educado. Uma vergonha para o bairro, um desrespeito para os vizinhos.
Será que podemos aproveitar para fazermos uma ação educativa num fim de semana? É só combinar.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Flores de espinhos no passeio
Rua Grão Mogol, entre Campanha e Montes Claros, no Bairro Carmo. O morador, amante da natureza, plantou uma floresta no passeio. O lugar acumula sujeira e, à noite, escuro, mete medo. Os pedestres se espremem para passar sem se ferirem nos espinhos das plantas.
Rua Campanha, Bairro Carmo, Belo Horizonte. Desde que começou a construção de um edifício, em 2009, a construtora Artecon transformou a rua em canteiro de obra. Despeja nela materiais de construção, como se vê na foto, ocupa a rua com grandes caminhões que produzem concreto e outros que transportam terra. O resultado é lama, asfalto e passeios quebrados, pedestres impedidos de transitar, além de grande barulho, que não raro entra a noite e os fins de semana. Uma vez, o transporte de uma máquina foi até uma hora da manhã, com apoio da BHTrans.
Assinar:
Postagens (Atom)
Você pode participar deste blog comentando,
enviando textos, fotografias e vídeos,
ou ainda como autor.
enviando textos, fotografias e vídeos,
ou ainda como autor.










