Há alguns dias fiz a entrevista abaixo para o jornal Cometa
Itabirano. Hoje passei no local e a "pracinha" tinha sido desmontada.
Não sei por quem. O banco desapareceu, os vasos também e os tufos de
grama estavam empilhados dentro de caixas de papelão. Um carro ocupava a
vaga.
Uma pracinha no asfalto
Estudantes
de arquitetura e urbanismo querem que os belo-horizontinos tomem de
volta as ruas roubadas pelos automóveis. Na Rua Campanha, no Bairro
Carmo, à sombra de uma árvore, eles puseram grama sobre o asfalto, sobre
a grama instalaram um banco de jardim e vasos de plantas, transformando
o espaço antes ocupado por um carro numa inesperada e simpática
pracinha. Conseguiram assim provocar a curiosidade e a reflexão dos
moradores, muitos dos quais se manifestaram com entusiasmo, fixando
bilhetes no local. Feliz em saber que os futuros urbanistas e arquitetos
estão preocupados com a qualidade de vida em Belo Horizonte, o Cometa
conversou com a estudante Manuela Ferreira Torres, uma das responsáveis
pela iniciativa, juntamente com seus colegas Ana Cláudia Sad Françoso,
Pedro Veloso e Fabiano Nardy de Moraes. Eles são alunos do terceiro
período do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMG e participam do
projeto Passear (Projeto de Arquitetura Sobre Sua Experiência de
Apropriar-se da Rua), que faz parte da disciplina PRJ 089 (Projeto para a
Rua e para o Bairro), ministrada pelos professores Wellington Cançado e
Roberto Andrés. A seguir a entrevista.
Cometa – O que vocês querem?
Manuela
– Chamar a atenção para a supremacia do automóvel sobre o pedestre
sofrida hoje na cidade de Belo Horizonte. Esta questão está enraizada na
cultura brasileira – ter carro é um condicionante para elevar o status
social – e se reflete em uma urbanização que marginaliza o pedestre e os
meios de transporte alternativos (bicicleta, skate e outros).
Cometa – Por que escolheram a Rua Campanha?
Manuela
– Cada grupo se dedicou à rua de um de seus integrantes para a
realização de um projeto, levantando seus problemas e potencialidades de
uso. A Rua Campanha é um exemplo nítido dessa urbanização que
privilegia o automóvel em detrimento dos pedestres. Com suas calçadas de
150 cm, qualquer obstáculo (árvore, lixo, lixeira etc.) afunila a
passagem do usuário a pé e não reserva nenhum espaço para sua
permanência (banco, encosto etc.). O uso da rua se dá, majoritariamente,
pelo automóvel. São duas faixas de estacionamento ao longo de toda a
rua, dificultando o contato entre as pessoas e delas com o espaço
urbano.
Cometa – Quais foram os resultados até agora?
Manuela
– Muitos moradores e transeuntes admiraram a iniciativa e aprovaram a
ocupação de uma vaga pelos cidadãos. Recebemos grande apoio do Clic!
[Centro Lúdico de Interação e Cultura, que funciona no mesmo quarteirão]
e dos vizinhos do prédio imediatamente ao lado da vaga. Entretanto,
outros moradores se posicionaram contra o projeto e até o boicotaram –
roubaram plantas e desfizeram o leiaute original.
Cometa – O que vocês pretendem fazer daqui pra frente?
Manuela
– Pretendemos levar o projeto adiante tornando-o mais durável e
sustentável para que a população local possa assumi-lo, se for de seu
interesse. Também pretendemos continuar a disseminar a ideia do projeto,
com ajuda das redes sociais, abrindo espaço para a discussão e
engajamento da população na causa.
Este blog é uma tribuna livre de defesa dos espaços públicos em Belo Horizonte. Propositalmente, é inaugurado no mesmo dia (25/3/10) em que o prefeito Márcio Lacerda visita Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá e uma das maiores autoridades em qualidade de vida nas grandes cidades, defensor de uma bandeira que este blog sustenta: o pedestre é mais importante que o carro.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
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