sábado, 4 de abril de 2015

A cidade inadequada

As árvores plantadas nos passeios, quebram o piso e têm copa baixa, cujos galhos obstruem a passagem dos pedestres ou, altas demais, se embaralham nos fios.
As lâmpadas dos postes de iluminação pública ficam sobre as copas das árvores e projetam sombra nos passeios, tornando inútil sua luz.
Os passeios são sujos de cocôs de cachorros, que saem dos apartamentos para passear com seus donos.

Não é preciso muito para fazer uma cidade melhor: plantar árvores adequadas, abaixar as luminárias públicas, não levar cachorros para fazer cocô no passeio... E coisas assim.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Insisto: vai tirar as grades?

O governo do PT em Minas está prestes a completar um mês e as grades continuam cercando o Palácio da Liberdade, do jeito que a ditadura fez e que nenhum governo civil, a partir de Tancredo (82-86), teve coragem de mudar.
As grades foram colocadas em 1967, quando o atual governador se iniciava na política, pelo Movimento Estudantil, contestando a ditadura.
Seria um ato simbólico de grande importância retirá-las hoje, tornando os gramados e tudo mais ao redor do prédio espaços públicos, livres. Poderia ser também o primeiro passo para a criação do Largo da Liberdade, unindo praça e palácio, todos os prédios cercados por calçadão, gramados, jardins, pista para caminhada, ciclovia.
Para mim é evidente que as grades enfeiam o palácio e o que significam, emocionalmente, psicologicamente, mentalmente, inconscientemente.
Abaixo fotos do palácio quando não tinha grades e hoje. Copiei-as da internet, desconheço os autores, que não estavam identificados.



quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Vai tirar as grades?

Escrevi o texto abaixo no dia 30 de setembro. Hoje é um bom dia para republicá-lo.

No próximo domingo elegeremos um novo governador.
As pesquisas indicam que pela primeira vez teremos um governador do PT.
Liberdade ainda que tardia, diz a bandeira de Minas.
As grades que cercam  o Palácio da Liberdade foram colocadas pela ditadura, em 1967, quando o candidato líder nas pesquisas se iniciava na política, participando do Movimento Estudantil.
Nenhum governador eleito depois dele -- a partir do avô do atual senador, cujo velório provocou mais cinco mortos esquecidos, gente do povo esmagada contra as grades, pisoteada pela multidão --, nenhum governador eleito "democraticamente" retirou as grades que a ditadura instalou.
É um fato simbólico da democracia em que vivemos, na qual a polícia militar continua fazendo o que o Exército lhe ensinou: reprimir violentamente o povo.
Será o novo governador o arauto da liberdade tardia?
Vai tirar as grades (do Palácio) da Liberdade?

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Vai tirar as grades?

No próximo domingo elegeremos um novo governador.
As pesquisas indicam que pela primeira vez teremos um governador do PT.
Liberdade ainda que tardia, diz a bandeira de Minas.
As grades que cercam  o Palácio da Liberdade foram colocadas pela ditadura, em 1967, quando o candidato líder nas pesquisas se iniciava na política, participando do Movimento Estudantil.
Nenhum governador eleito depois dele -- a partir do avô do atual senador, cujo velório provocou mais cinco mortos esquecidos, gente do povo esmagada contra as grades, pisoteada pela multidão --, nenhum governador eleito "democraticamente" retirou as grades que a ditadura instalou.
É um fato simbólico da democracia em que vivemos, na qual a polícia militar continua fazendo o que o Exército lhe ensinou: reprimir violentamente o povo.
Será o novo governador o arauto da liberdade tardia?
Vai tirar as grades (do Palácio) da Liberdade?

Cavaletes e porcalhões

Eles estão em toda parte, emporcalhando a cidade, enfeiando a paisagem, obstruindo a passagem dos pedestres, em cima dos passeios.
Os cavaletes são avisos.
Neles, os candidatos nos antecipam como vão tratar a cidade, depois de eleitos, e nós, seus eleitores.
Com o mesmo desrespeito, cometendo as mesmas ilegalidades e violências.

sábado, 20 de setembro de 2014

Ideias para Belo Horizonte: corredores de ônibus integrados

Construímos o Largo da Liberdade? Que maravilha, heim? Um grande espaço público no ponto mais nobre da cidade, local de simples encontro da população, sem eventos, a não ser eventualmente, e sem cercas e horrorosas estruturas metálicas... Já não temos grades ao redor do Palácio, seus gramados foram abertos ao público, a ruazinha sem nome que vai da Avenida Bias Fortes até a pracinha Mendes Jr. também foi transformada em calçadão, como todo o restante do asfalto...

Vamos pensar agora na locomoção. Em primeiro lugar os passeios. Façamos bons passeios públicos para todos os que querem andar, que não precisam de veículos, porque todos somos pedestres, antes de ser motoristas ou usuários de ônibus, caronas, motociclistas, ciclistas. Passeios com piso uniforme, seguro, sem buracos e sem obstáculos. Sem postes e sem árvores, sem bancas e sem mesas, sem placas de propaganda e sem caixas de correio, sem orelhões, sem lixeiras e sem lixo. Um corredor de um metro e meio, dois metros, três metros, quatro, cinco, nas avenidas mais largas, mas absolutamente livre e regular, por mais estreito que seja. Bons passeios nos levam com segurança a todos os lugares da cidade.

Em seguida, o transporte coletivo, que é o transporte mais civilizado. Esqueçamos o Move e todos os crimes cometidos contra o trânsito na cidade, obras para empreiteiras e políticos se locupletarem, e que só tornam a cidade mais inóspita, mais violenta, agredindo moradores antigos despejados e apartados por dois lados de larguíssimas avenidas. Não precisamos de nada disso. Basta organizar o trânsito, coisa que nem com os bilhões gastos no Move foi feita.

Comecemos por uma linha de ônibus circular, seguindo por toda a Avenida do Contorno, não como agora, de vinte em vinte minutos, mas de cinco em cinco, três em três ou dois em dois, conforme for a demanda de usuários. Como é o metrô. E em faixa exclusiva, como o metrô. Sem ter que manobrar pra encostar e novamente para sair, sem parar no meio da avenida como hoje acontece. Só isso, ônibus circulando em faixa exclusiva, um após outro. E também uma linha exclusiva, sem nenhuma outra para atrapalhá-la. A Contorno une toda a cidade, dela podemos ir para onde quisermos.

Ao chegarmos na Avenida Nossa Senhora do Carmo, encontraremos outra linha que segue por ela, ao chegar à Avenida Afonso Pena também, e à Amazonas, à Prudente de Morais, à Andradas, à Antônio Carlos e a todas as outras avenidas da cidade que nascem ou cortam a Contorno ou estão logo depois dela. Em cada avenida uma linha igual, exclusiva, com corredor exclusivo e ônibus passando um após outro. O usuário faz a conexão, de necessidade de grandes "terminais" e outras bobagens.

Nos bairros, seguindo por ruas, micro-ônibus, mais adequados para transitar em vias mais estreitas e transportar número menor de passageiros.

Precisamos de mais? Sim, mas certamente bastará isso para fazer uma revolução no transporte coletivo em Belo Horizonte.

Deixemos para os carros espaço correspondente à menor importância que lhes dá um povo civilizado: quem quer enfrentar congestionamento, que enfrente, mas ele não é inevitável, se a opção for o ônibus. O mesmo dizemos para as motos.

Deixemos também espaço para bicicletas, no asfalto, como veículos que são, não nos passeios, respeitando o trânsito e os pedestres; faixas exclusivas entre o corredor de ônibus e as faixas dos carros, motos e caminhões.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Ideias para Belo Horizonte: Largo da Liberdade

O CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) é um marco cultural em Belo Horizonte, uma mudança de padrão em se tratando de "centros culturais". Ali se respira um ar diferente, em que cultura, povo e espaço público convivem e se completam. Não à toa está sempre lotado, ao contrário de museus do "circuito cultural" da Praça da Liberdade. Trata-se de uma ambiente que a cidade não tinha e que ultrapassa o padrão provinciano que predomina na capital. É um bom exemplo das diferenças entre os jeitos de governar do PSDB e do PT, entre a política neoliberal e a política petista, e principalmente entre o que as autoridades autoritárias nos dão e o que o povo quer. O CCBB tem vida, não é aquela coisa pasteurizada, fria e vazia de outros espaços em volta.

Tenho minhas ideias sobre a Praça da Liberdade. Não são nada extraordinárias, ao contrário, são o que qualquer um pode pensar, o que todo mundo vê, porém muito diferentes do que a Praça é. Penso nisso há mais de dez anos, bem antes do Aécio criar seu "circuito" como subproduto do centro administrativo, este sim o seu projeto, copiado de JK, uma obra bilionária, uma catástrofe urbanística retrógrada. Já que os prédios das secretarias ficariam vazios, por que não transformá-los num "circuito cultural"? Copiar JK com meio século de atraso e batizar tudo com o nome "Tancredo Neves" -- assim se pode resumir o plano de governo do Aécio.

Tem realmente muito tempo que eu penso nisso, porque quando Itamar era governador e falou em construir um túnel na Praça eu já pensava nisso há algum tempo. Elaborei mais a ideia quando caminhava diariamente na Praça. Na verdade ela ficava evidente dia após dia, era a própria praça que parecia me dizer que aquilo ali podia ser diferente, que tinha outra vocação e precisava ser transformado. Alguém soprou a ideia ao Aécio, porque é claro que não era só pra mim que ela se insinuava, e ele aproveitou-a, mas, com sua mediocridade característica, deturpou-a.

Na Praça, Aécio fez a parte óbvia e menos importante, diria mesmo que fez tudo errado. Prova do projeto oportunista e medíocre é que o Palácio não foi incluído nele. Compreende-se: a elite não quer abandonar seu posto privilegiado na Praça, mesmo que seja um castelo mal-assombrado, sem uso; ele foi mantido para "momentos solenes", como o lançamento de candidaturas que aconteceu este ano... Quando a gente entra no CCBB, no entanto, nota a diferença entre o que a Praça se tornou e o que o pode ser.

Caminhadas e espaços públicos

Quando eu caminhava na Praça, às seis horas da manhã, percebi que eu e todos os outros (inclusive um dos mais ricos empreiteiros de Minas) estávamos errados: a Praça não foi feita para caminhada, nós estávamos roubando o espaço dos transeuntes, das pessoas comuns, que sempre ocuparam aquele espaço público, de passagem ou para lazer: aposentados, crianças, estudantes, "povo". A caminhada na Praça foi improvisada pela falta de pistas adequadas e de espaços públicos em Belo Horizonte, que é um assunto que me ocupa desde sempre.

Quem mora no Rio de Janeiro, por exemplo, onde todo mineiro sempre quis morar e para onde milhões foram, vive diariamente a diferença entre uma cidade com praia e este monstrengo frio e violento que se tornou BH. A praia é um infinito espaço público e são os espaços públicos que dão vida à cidade.

Caminhar virou uma febre recomendada por médicos e especialistas, a atividade física mais fácil e de graça. É muito bacana ver o povo caminhando, porque é de fato o povo, gente de todas as idades e todas as classes -- empregadas domésticas caminham na Avenida Bandeirantes, na Praça da Liberdade e em vários locais "nobres" onde já caminhei.

A Praça virou o espaço de caminhada da cidade por excelência, mas não tem pista demarcada nem barras de alongamento, como outros locais. Foi e continua sendo improvisado. Quando eu passo por lá todos os dias, voltando do trabalho, enfrento, na "contramão" dezenas de pessoas que caminham ou correm na direção oposta à minha. Para piorar, a Praça é malissimamente iluminada.

Criar calçadões e integrar o Palácio  

Nem todos os mineiros podem viver no Rio e acho que aqueles que podem devem melhorar Belo Horizonte. A primeira ideia que me veio, quando comecei a caminhar na Praça, é que a Prefeitura tinha de fazer pistas de caminhadas. Para isso, deve fechar as ruas laterais. Aí a ideia começa a tomar forma: sem trânsito de veículos nas ruas laterais, muda-se também o piso, o local vira um calçadão e os prédios das secretarias se integram a ele. Alguns poderiam se transformar em centros culturais, abrigando teatros, cinemas, exposições, cafés. Será que dava pra montar um café em algum terraço? Não seria bacana ter um café, um restaurante no terraço, com vista da cidade?

Pronto, a Praça, além de lugar de lazer, teria pista de caminhada adequada e se tornaria um grande calçadão, com centros culturais ao redor. Não em todos os prédios, porque não é ruim ter movimento de trabalhadores, ao contrário. O melhor é misturar, ter movimento, espaços abertos, inclusive nos fins de semana e feriados, para que os lugares não se tornem desertos. Além disso, não é preciso ter tantos centros culturais, mesmo porque o maior e melhor prédio para abrigar um museu na Praça é o Palácio da Liberdade. Para isso, basta ligá-lo diretamente à Praça, transformando o asfalto também em calçadão, e retirar as grades que o cercam.

As grades em torno do Palácio foram colocadas pela ditadura em 1967. A informação está no folheto de visitação que o governo imprimiu (o Palácio fica aberto aos sábados e domingos). Nenhum governador eleito depois teve coragem de removê-las.

Imagino agora a Praça, incluindo o Palácio, tudo ligado por um calçadão, o Palácio transformado em museu, a Biblioteca Pública, as secretarias transformadas em centros culturais, como o do CCBB, em que diariamente, no começo da noite, um excelente grupo de atores trajados como no começo do século XX nos dá uma boa aula de história, nos convida para entrar, para entrar sempre, sem cerimônia, pois o local só tem valor se for ocupado pelo povo...

O Largo da Liberdade e as obras necessárias

O CCBB mostra a diferença entre a vocação da Praça e o que fez dela o governo Aécio. O CCBB de Belo Horizonte se diferencia dos museus do "circuito" porque não é o primeiro, ele aproveita uma experiência rica formada no Rio e em outras capitais, e que se caracteriza pela ideia de difusão da cultura com participação popular.

A vocação da Praça da Liberdade é de espaço público e para isso é preciso incorporar o Palácio e retirar suas grades, transformar as ruas em calçadões. Na verdade, o que importa é criar o "Largo da Liberdade" -- "circuito cultural" é um nome de propaganda, bem no espírito neoliberal, que aluga os espaços públicos. O "Largo", ao contrário, expressa a ocupação popular do espaço; a intervenção do deve-se dar para que a vocação da Praça se realize plenamente, retirando os empecilhos e executando obras necessárias.

Esta é a diferença entre uma administração cosmopolita e moderna e uma administração provinciana e colonial. A Praça como eu a imagino é o melhor espaço público belo-horizontino; tal como está é um pastiche modernoso neoliberal.

Quais são as obras necessárias? São obras que mesmo dispendiosas seriam certamente aceitas e aplaudidas pela população, ao contrário de viadutos que caem, "Moves" feitos e refeitos, tão ou mais caros e desnecessários, mas que prefeito e governadores neoliberais se empenham em construir, para aumentar a fortuna das empreiteiras e irrigar suas campanhas eleitorais.

Túneis, como quis Itamar, ligando as avenidas Bias Fortes, Brasil e Cristóvão Colombo. O trânsito ficaria ainda melhor. Acho que se deve manter o trânsito na Rua Gonçalves Dias, porque é uma oportunidade de se desfilar de carro na frente da Praça e admirá-la, especialmente no Natal, quando o lugar ganha iluminação especial. Mais do que via de trânsito diário, essa rua seria um ponto turístico, desses que as cidades precisam.

Retirar grades e pisar na grama

No mais, o que é preciso fazer são os calçadões, as pistas de caminhada, retirar as grades do Palácio e transformá-lo no melhor museu da cidade. De que tipo, deve-se ouvir gente que pensa -- bem -- sobre o assunto, como os que administram o CCBB e outros (Belo Horizonte tem gente mais que qualificada: nas gestões Patrus, Célio e Pimentel, o Museu Histórico Abílio Barreto foi um grande exemplo de museu que acolhe a população), e não neoliberais privatizantes que só pensam em "eventos".

Aliás, não há nada mais inadequado para a Praça do que os "eventos" patrocinados por empresas que a ocupam nos fins de semana, cercando todos os gramados com grades e gerando transtornos para seus usuários habituais.

O que é preciso não é cercar os espaços públicos, mas retirar as grades, convidar as pessoas a pisar na grama.

Esta é outra diferença entre o modelo neoliberal de espaço público e o que o povo quer: o povo quer pisar na grama, como pisam os moradores das cidades da Europa e dos EUA, dos quais nossos governantes neoliberais colonizados copiam tudo, mas não isso -- aqui, afastam o povo da grama e dos espaços públicos com grades, avisos ameaçadores, câmaras de segurança e policiais.

E iluminar o Largo, pois a Praça é pessimamente iluminada: postes históricos foram arrancados e muitos estão com lâmpada queimada. As árvores encobrem as luminárias altas, um erro boçal comum e antigo na iluminação belo-horizontina, que ainda provoca desperdício de energia (quando em caminhava na Praça, de manhã cedo, cansei de ver lâmpadas acesas durante horas, depois que o dia clareava). Obviamente, os postes precisam ser baixos e as lâmpadas devem ficar abaixo das folhagens.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Como transformar a cidade

Gostei da foto (Rio Cheonggyecheon, em Seul, Coreia do Sul).
A matéria discute a questão fundamental do "desenvolvimento" contemporâneo.
De passagem, uma crítica ao evidente crime urbano do prefeito Lacerda, o mais incompetente dos prefeitos da história da cidade, e no entanto reeleito.

Do Mobilize. 
Cidades, como transformá-las? Comece por sua calçada
Pequenas intervenções que podem "curar" as cidades brasileiras e promover mudanças importantes na mobilidade urbana. Leia o Editorial do Mobilize
Autor: Marcos de Sousa. Postado em: 11 de setembro de 2014

O Brasil tem hoje cerca de 85% de sua população vivendo em cidades. São  173 milhões de pessoas que convivem, trabalham, estudam e se divertem nos aglomerados urbanos. É uma situação completamente diferente do país dos anos 1950 e 1960, quando a maioria dos brasileiros estava no campo, segundo os registros do IBGE.
Os dados foram apresentados pelo arquiteto e urbanista Sérgio Myssior durante o III Fórum Mobilize, realizado dia 5 passado, em São Paulo. Essa concentração de gente em apenas 0,25% do território nacional faz crescer as demandas por energia, habitação, saneamento, saúde, educação e mobilidade urbana em todas as cidades, mas especialmente nas regiões metropolitanas.
No entanto, como lembrou o jornalista Gilberto Dimenstein no mesmo Fórum, é exatamente dessa fricção entre pessoas e recursos nos centros urbanos que nasce a fagulha do conhecimento e da inovação. O fenômeno é mundial, e o Brasil apenas está na vanguarda do processo. Dimenstein lembrou o decréscimo da importância dos países e a correspondente valorização das cidades no cenário internacional.
As cidades -- com sua concentração -- tendem a ser mais eficientes para o desenvolvimento humano, desde que dotadas de boas redes de serviços, comunicação e mobilidade. Sem bons sistemas de transporte -- que dispensem o uso do carro -- as cidades brasileiras perderão competitividade, avisam os urbanistas. E aí está um dos pontos frágeis do país, que continua a vender a solução individual como a única possibilidade de transporte com segurança e conforto.
Mesmo as obras mais recentes comprovam a falta de planejamento na mobilidade urbana, como mostrou o arquiteto Myssior na falta de conexão entre dois sistemas de BRTs recém-implantados em Belo Horizonte, obrigando os usuários a longos trajetos por duas enormes passarelas, além do pagamento em dobro da tarifa. Com tantas desvantagens, é natural que  as pessoas optem pelo carro ou moto.
A íntegra.

Rio Cheonggyecheon, Seul (Coreia do Sul)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Passeio não é ciclovia

Volto ao assunto.
Bicicleta é a alternativa de transporte individual (às vezes para dois) na cidade e vem ganhando cada vez mais adeptos, diante dos engarrafamentos no trânsito cada vez maiores.
É um transporte rápido, porque escapa aos engarrafamentos, e limpo, porque não emite gases poluentes, e uma atividade física que faz bem à saúde.
Os ciclistas já constituem um movimento, como tantos outros que existem hoje e fazem parte do mundo contemporâneo. Movimento que promove passeios, que celebra o meio de transporte e um estilo de vida, que reivindica ciclovias.
Populações de cidades mais civilizadas de países mais ricos já adotaram a bicicleta como o melhor meio de transporte. Em São Paulo, o prefeito Haddad está pondo em prática um programa de construção de ciclovias ao que parece pra valer, não é como o ridículo que foi inaugurado em Belo Horizonte.
As bicicletas estão chegando e vão ficar.
No entanto, a mudança de veículo não vem acompanhada de mudança de mentalidade. É cada vez maior também o número de ciclistas que se comportam como motoristas -- maus motoristas.
Desrespeitam as leis do trânsito, furam sinais, andam na contramão e, o pior, em cima dos passeios e faixas de pedestres.
Querem desfrutar das vantagens da bicicleta, mas não querem se submeter às regras dos veículos, fingem que não estão dirigindo -- e as bicicletas, embora sem motor, são veículos.
Enquanto penso nisso, andando na rua, vejo passar um ciclista voando, na rua, e instantaneamente percebo como a bicicleta é um veículo extremamente frágil entre carros, ônibus, caminhões e motos.
Por isso tantos ciclistas sobem nos passeios.
E assim, além dos inúmeros obstáculos que nós, pedestres, temos nos passeios, inclusive os criados pela própria prefeitura, como os monstrengos na Praça da Savassi, além dos pisos esburacados e irregulares, agora temos também a ameaça dos ciclistas.
Pra encerrar: Passeio é pra pedestre! Ciclovias já!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Bosta de cavalo

A Praça da Liberdade recende bosta de cavalo.
No século XXI Belo Horizonte ainda tem policiamento a cavalo.
A cavalaria sai diariamente da Praça, perto do quartel da PM, e desce a Avenida Cristóvão Colombo, a caminho sabe-se lá de onde.
No caminho vai deixando um rastro de cocô no asfalto.

Cuidado! Ciclista no passeio

Com o trânsito congestionado, o número de ciclistas aumenta.
Eles querem escapar do congestionamento, mas também fogem dos carros.
E transitam nos passeios, pondo em risco os pedestres.
Como os motoristas que avançam sinais, param sobre faixas de pedestre, estacionam nos passeios.
Só resta ao pedestre, o mais fraco na violência do trânsito, onde a impunidade e o desrespeito são a regra, tomar cuidado dobrado -- com os carros e as bicicletas.

Nas horas de descanso é pior

Na grande cidade caótica, noite, fim de semana, feriado viraram horários de obras.
Quando a cidade deveria se acalmar e silenciar, prefeitura, estado e empreiteiras começam a quebrar asfalto e passeios, movimentar máquinas, fazer barulho, interditar vias.
Quando o trânsito ficaria civilizado, ruas, avenidas e praças são interditas para "eventos" privados. O trânsito continua infernal e os espaços públicos bloqueados.
Enquanto isso, o prefeito descansa no seu condomínio, em outra cidade, e o governador passeia.

domingo, 20 de julho de 2014

Exemplos

Quando você monta seu filho na garupa da bicicleta e sai pedalando pelos passeios da cidade, qual o principal exemplo que você lhe dá? De usar um meio de transporte limpo e saudável, que não polui o ambiente e ainda é uma atividade física, ou de desrespeitar o pedestre, como os motoristas desrespeitam os ciclistas?

Quando você limpa sua casa, separa o lixo reciclável e enche o passeio com ele, que tipo de cidadão está formando? O que se preocupa com o controle da poluição ou o que não tem responsabilidade pelo espaço público?

Quando você compra um cachorrinho para seu filho e o leva pra fazer xixi e cocô na rua, que exemplo que você está dando? O da relação carinhosa com os animais ou o do desprezo pelo bem coletivo?

domingo, 22 de junho de 2014

Prefeitura lança projeto pioneiro de compostagem doméstica

Em São Paulo.
Fase inicial distribuirá 2.000 composteiras em toda a cidade. Processo permite reaproveitar resíduos orgânicos na forma de adubo. Objetivo é reduzir a quantidade de resíduos enviados aos aterros.
Leia mais

sábado, 21 de junho de 2014

Aplicativo para ciclistas

Que não andam no passeio.

Do Jornal GGN.
Casal cria rede que estimula adoção da bicicleta como meio de transporte
Mário Bentes

Foi a própria experiência de vida, com o interesse de adotar a bicicleta como meio de transporte e de estilo de vida, contribuir com o meio ambiente e melhorar o bem-estar, que levou um casal a criar um aplicativo que une diversas ferramentas em um único espaço. O Bicicletando é um aplicativo com status de rede social que reúne informações, em todas as capitais do Brasil, a respeito de ciclofaixas, pontos de estacionamento de bicicletas (chamados paraciclos) e ainda ajuda o usuário a escolher os melhores caminhos para pedalar, seja a passeio ou até mesmo ao trabalho.
A íntegra.

O desrespeito das autoridades belo-horizontinas na Copa

A bela Copa do Mundo que o Brasil está fazendo revela também, mais uma vez, o desrespeito das autoridades belo-horizontinas pelos cidadãos, especialmente este cidadão de terceira categoria que é o pedestre.
Basta passar na Savassi: a praça foi tomada por grandes estruturas de propaganda, que não só ocupam metade da passagem, mas também estendem seus tentáculos pelo que restou do passeio.
Os canteiros em cujas bordas a população se senta para lazer foram isolados por grades.
A PM estaciona veículos nos passeios.
A cidade está tomada de turistas, línguas estrangeiras são ouvidas em todos os cantos, nunca se viu nada igual em Belo Horizonte. O povo dá demonstrações de educação e civilidade, recebendo bem a todos e encantando os visitantes, mas as autoridades continuam as mesmas: mal-educadas, primitivas, coloniais.

História das ciclovias holandesas

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Livro de Ouro de uma escola democrática e inclusiva

Você já assinou um Livro de Ouro? 
Que tal assinar o Livro de Ouro da Espaço Escola / CoopenBH?
A Coopen BH é uma cooperativa de pais, sem fins lucrativos.
E ela tem uma boa causa: a manutenção de uma escola democrática, aberta a viver/conflitar/relacionar com as diferenças.
Uma escola comprometida com o coletivo e com a socialização do conhecimento!
Esta é uma opção pedagógica que nos desafia, inclusive, em seu financiamento.
Nós, pais cooperados, estamos promovendo esta ação porque queremos que nossa escola prospere e tenha condições de investir cada vez mais na formação de crianças e jovens comprometidos com o coletivo.
Junte-se a nós! Conheça nossa escola e assine o nosso Livro de Ouro no link abaixo:
http://espacoescola.com.br/livro-ouro.php

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Uma pracinha no asfalto

Há alguns dias fiz a entrevista abaixo para o jornal Cometa Itabirano. Hoje passei no local e a "pracinha" tinha sido desmontada. Não sei por quem. O banco desapareceu, os vasos também e os tufos de grama estavam empilhados dentro de caixas de papelão. Um carro ocupava a vaga.

Uma pracinha no asfalto 
Estudantes de arquitetura e urbanismo querem que os belo-horizontinos tomem de volta as ruas roubadas pelos automóveis. Na Rua Campanha, no Bairro Carmo, à sombra de uma árvore, eles puseram grama sobre o asfalto, sobre a grama instalaram um banco de jardim e vasos de plantas, transformando o espaço antes ocupado por um carro numa inesperada e simpática pracinha. Conseguiram assim provocar a curiosidade e a reflexão dos moradores, muitos dos quais se manifestaram com entusiasmo, fixando bilhetes no local. Feliz em saber que os futuros urbanistas e arquitetos estão preocupados com a qualidade de vida em Belo Horizonte, o Cometa conversou com a estudante Manuela Ferreira Torres, uma das responsáveis pela iniciativa, juntamente com seus colegas Ana Cláudia Sad Françoso, Pedro Veloso e Fabiano Nardy de Moraes. Eles são alunos do terceiro período do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMG e participam do projeto Passear (Projeto de Arquitetura Sobre Sua Experiência de Apropriar-se da Rua), que faz parte da disciplina PRJ 089 (Projeto para a Rua e para o Bairro), ministrada pelos professores Wellington Cançado e Roberto Andrés. A seguir a entrevista.

Cometa – O que vocês querem?
Manuela – Chamar a atenção para a supremacia do automóvel sobre o pedestre sofrida hoje na cidade de Belo Horizonte. Esta questão está enraizada na cultura brasileira – ter carro é um condicionante para elevar o status social – e se reflete em uma urbanização que marginaliza o pedestre e os meios de transporte alternativos (bicicleta, skate e outros).

Cometa – Por que escolheram a Rua Campanha?
Manuela – Cada grupo se dedicou à rua de um de seus integrantes para a realização de um projeto, levantando seus problemas e potencialidades de uso. A Rua Campanha é um exemplo nítido dessa urbanização que privilegia o automóvel em detrimento dos pedestres. Com suas calçadas de 150 cm, qualquer obstáculo (árvore, lixo, lixeira etc.) afunila a passagem do usuário a pé e não reserva nenhum espaço para sua permanência (banco, encosto etc.). O uso da rua se dá, majoritariamente, pelo automóvel. São duas faixas de estacionamento ao longo de toda a rua, dificultando o contato entre as pessoas e delas com o espaço urbano.

Cometa – Quais foram os resultados até agora?
Manuela – Muitos moradores e transeuntes admiraram a iniciativa e aprovaram a ocupação de uma vaga pelos cidadãos. Recebemos grande apoio do Clic! [Centro Lúdico de Interação e Cultura, que funciona no mesmo quarteirão] e dos vizinhos do prédio imediatamente ao lado da vaga. Entretanto, outros moradores se posicionaram contra o projeto e até o boicotaram – roubaram plantas e desfizeram o leiaute original.

Cometa – O que vocês pretendem fazer daqui pra frente?
Manuela – Pretendemos levar o projeto adiante tornando-o mais durável e sustentável para que a população local possa assumi-lo, se for de seu interesse. Também pretendemos continuar a disseminar a ideia do projeto, com ajuda das redes sociais, abrindo espaço para a discussão e engajamento da população na causa.
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sexta-feira, 29 de março de 2013

Justiça manda prefeitura indenizar pedestre

Em São Paulo. Imagina se esses juízes decidem dar uma voltinha nos passeios de Belo Horizonte.

Do Última Instância.
Pedestre é indenizada após queda em calçada irregular
O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) manteve indenização por danos morais, no valor de R$ 3 mil, a pedestre que sofreu uma queda em calçada irregular, na cidade de São Vicente, que resultou em fratura no seu tornozelo. O pedido de indenização por danos materiais e estéticos foi negado.
A Prefeitura de São Vicente, em sua apelação, afirmou que não havia buraco ou desnível na calçada, portanto, não era responsabilidade da administração municipal. Além disso, requereu a reconsideração da indenização por danos materiais e estéticos, bem como a por danos morais, no valor de R$ 3 mil, por não terem sido comprovadas as despesas alegadas. Requereu redução da verba honorária de R$ 2.900,00.
O relator Marrey Uint, em seu voto, declarou que "é fato incontroverso que o acidente ocorreu tendo em vista a declaração de testemunha que afirmou 'saber no ato que a requerente escorregara na calçada, a qual não tinha piso antiderrapante e tinha buraco', sendo que o depoente é pedreiro e por isso entende que no caso caberia o piso antiderrapante". A testemunha afirmou que a pedestre demorou de três a quatro meses para se recuperar.
A íntegra.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Nem Bogotá aguentou tanto carro

Belo Horizonte tem um terço da população da capital colombiana e uma planta projetada por Aarão Reis que possibilita o transporte coletivo integrado por ônibus, desde que pare de crescer: uma linha na Avenida do Contorno, uma linha em cada grande avenida que leva a cada região e linhas de ônibus menores transitando dentro dos bairros. O que lhe falta são planejadores. Porque planejar exige confrontar as características intrínsecas do capitalismo -- individualismo, imediatismo e lucro -- em nome dos interesses da coletividade, da qualidade de vida e do futuro. O carro é o bem material que evidencia isso mais do que qualquer outro, mas prevalece porque os interesses da indústria automobilística e de tudo que a rodeia (empreiteiras, políticos, publicidade, televisão, indústria de autopeças, oficinas diversas) são mais fortes. Passar de um sistema a outro é o atual desafio da humanidade. Sem isso, nem a cidade de Enrique Peñalosa aguenta. Planejamento também significa impôr limites à construção de edifícios, privilegiar áreas públicas e verdes, descentralizar os serviços, promover a expansão horizontal, implantar infra-estrutura antes que a ocupação aconteça -- enfim, o oposto do que a administração Lacerda faz em Belo Horizonte, por exemplo.

Do Opera Mundi.
Referência em transporte público, Bogotá virou refém do trânsito após salto populacional
Terceira cidade mais populosa da América do Sul, Bogotá sofre com trânsito diário. Apesar de ser exemplo de transporte público na América Latina, obriga seus moradores a alterarem sua rotina em função do trânsito caótico da cidade. O Transmilenio, sistema de corredores de ônibus criado em 2000, não dá mais conta do crescimento populacional – Bogotá abriga atualmente mais de 7,5 milhões de habitantes.
Assim que desembarca na capital colombiana, além de escutar sugestões para visitar pontos como a Catedral de Sal, em Zipaquirá, o viajante também recebe alertas sobre as horas de pico (das 7h30 às 10h e das 15h30 às 20h). Nesses períodos, as filas para pegar o Transmilênio são enormes e o tempo de espera pode chegar a até uma hora. A alternativa, então, poderia ser um táxi. Mas não é bem assim.
Nas principais atrações turísticas da cidade, é possível conseguir um carro especial (sem logotipo e o sistema de cobrança municipal), mas pode gastar até o dobro do que em uma corrida normal. No resto da capital colombiana, a cena mais comum é um taxista encostar o carro, perguntar o destino do passageiro e desistir. Com o tráfego parado, as buzinas são constantes mesmo nas ruas mais estreitas e, nesse cenário, os motoristas pensam duas vezes se a viagem realmente compensa.
A íntegra.

sábado, 23 de março de 2013

Jovens rejeitam carros

Matéria interessante. A mudança de mentalidade é decisiva para que a humanidade supere os gigantescos problemas que estão nos levando para a barbárie. As gerações que têm mais de trinta anos -- esta idade já foi emblemática: "não confie em ninguém com mais de trinta anos", dizia o lema dos anos 60 -- construíram esse mundo que os jovens estão herdando e terão de mudar para viver com a qualidade de vida que já faz parte do passado.

Do saite Mobilize.
Desinteresse dos jovens por carros preocupa montadora 
A geração entre 18 e 24 anos está se importando mais com os outros e com o mundo em que vivem
Maria Fernanda Cavalcanti 
Um recente artigo do The New York Times, da jornalista Amy Chozick, é mais uma prova de que os jovens mudaram. A geração entre 18 e 24 anos está se importando mais com os outros e com o mundo em que vivem, superando antigos valores e necessidades de consumo que já não os convencem e, muito menos, os satisfazem. Uma dessas mudanças importantes está no modo com que os jovens se relacionam com a mobilidade.
Há poucas décadas, o carro representava o ideal de liberdade para muitas gerações. Hoje, com ruas congestionadas, doenças respiratórias e falta de espaço para as pessoas nas cidades, os jovens se deram conta de que isso não tem nada a ver com ser livre, e passaram a valorizar meios de transporte mais limpos e acessíveis, como bicicleta, ônibus e trajetos a pé. Além do mais, “hoje Facebook, Twitter e mensagens de texto permitem que os adolescentes e jovens de 20 e poucos anos se conectem sem rodas. O preço alto da gasolina e as preocupações ambientais não ajudam em nada”, diz o artigo.
A íntegra.

PBH e PM pedem respeito, mas não respeitam

A mensagem desta peça publicitária é louvável, mas infelizmente não passa de propaganda. A PM, a primeira a assiná-la, frequentemente estaciona seus carros em cima dos passeios, nos locais mais inconvenientes, obstruindo a passagem dos pedestres; em geral nem tem policial dentro, como se carro sozinho fizesse policiamento. A Prefeitura de Belo Horizonte, que também assina a mensagem, não dá a mínima para o pedestre. Hoje mesmo, na Savassi, eu vi guardas municipais conferindo e multando rotativos vencidos, enquanto do lado havia carros estacionados no passeio, que não foram molestados. Não foi a primeira vez nem a segunda nem a décima que eu vi essa cena, certamente também não será a última. Guardas de trânsito em Belo Horizonte cuidam muito mais de arrecadar para a prefeitura do que do trânsito, pedestre então é uma coisa que nem passa pela cabeça deles. Carros e agentes da BHTrans -- outro órgão que assina a campanha -- circulam sem se darem o trabalho de observar o que acontece ao redor, parar, orientar, multar. Na Avenida do Contorno, entre Avenida Nossa Senhora do Carmo e Rua Grão Mogol, a prefeitura roubou três metros do passeio em um quarteirão inteiro para ampliar a pista para os carros. Atravessar na esquina da Contorno com Nossa Senhora do Carmo é um horror, pois além de estreito, o passeio começa cercado de postes. Se é assim na Savassi, considerada região nobre, nos bairros os passeios nem existem ou são lotados de obstáculos -- postes, lixeiras, canteiros, carros e motos estacionados, árvores etc. -- e a PBH não dá a menor importância a isso. BH tem polícia demais e policiamento de menos -- na verdade, é até melhor quando ela não age, porque quando entra em ação é para bater manifestantes e humilhar e prender pobres. A esquina de Carangola com Contorno é outro ponto de mau exemplo: rotineiramente há uma caminhonete da Polícia Civil estacionada no passeio, obrigando os pedestres a passar pela rua. É porque os órgãos que assinam a nota não punem e ainda dão mau exemplo que os motoristas desrepeitam as leis do trânsito e os pedestres, provocando tantas mortes e atropelamentos. Enfim, a mensagem é ótima, mas é só propaganda, pois as autoridades são as primeiras a ignorá-la.

domingo, 18 de novembro de 2012

A cidade é feita de gente na rua, diz Peñalosa

Entrevista com o prefeito colombiano que Lacerda visitou, para aprender. Aprendeu e fez tudo ao contrário.

Do O Estado de S. Paulo.
O urbanismo contra-ataca. Entrevista com Enrique Peñalosa
Por Juliana Sayuri
Prefeito de Bogotá entre 1998 e 2011, o urbanista transformou a capital colombiana com ações focadas em mobilidade e sustentabilidade, reduzindo drasticamente o índice de homicídios na cidade, antes considerada uma das mais violentas da América Latina. Já fez conferências em universidades como USP, PUC-RJ, Princeton, London School of Economics, Harvard, Chicago e Colúmbia, e assessorou governos na Ásia, África, Américas e Europa com estratégias e políticas urbanas. Neste ano, visitou São Paulo e Porto Alegre, onde participou do Fronteiras do Pensamento, em junho.
"Uma cidade se expressa, vibra, vive. É feita de gente na rua", diz ao Aliás. "O papel do Estado é estar presente, em todos os cantos da cidade. Que não haja rincões que fiquem à margem. Se o Estado não respeita a vida humana, por que os bandidos o fariam?", questiona. "Devemos mostrar símbolos de igualdade e de democracia. São bibliotecas, ciclovias, colégios, parques, ruas iluminadas. E, principalmente, gente ocupando esses espaços públicos", destaca. Seguindo as ideias de Enrique Peñalosa, talvez falte mostrar, sem pieguice, que ainda existe amor em SP. Eis a entrevista.

- São Paulo está vivendo uma onda de violência que obteve repercussão internacional. Que paralelo podemos traçar com Bogotá, que já foi considerada uma das cidades mais violentas da América Latina?
- Posso comentar a experiência de Bogotá, onde a segurança melhorou desde o fim da década de 1990. Essa melhoria ocorreu na capital, antes de ocorrer no país como um todo. Não foi consequência de uma mudança diretamente relacionada às políticas do presidente Álvaro Uribe, mas de uma série de medidas do poder municipal. Não há fórmulas fechadas, mas posso propor teorias: é a cidade. A chave é a própria cidade.
- Como assim?
- A cidade se expressa, vibra, vive. E uma cidade só se faz com gente na rua. Mas, para isso, as pessoas precisam se sentir seguras nas ruas. Os cidadãos precisam sentir que há legitimidade -- o que é muito importante, mas altamente subjetivo. Explico: o Estado precisa ser considerado legítimo pelos cidadãos. É corrupto? É íntegro? Está dedicado a atender às necessidades dos mais vulneráveis para construir, de alguma maneira, uma sociedade mais igualitária? Se há legitimidade, os cidadãos tendem a compreender e cumprir determinadas normas, reportar e pedir punição aos que violam essas normas. Prefiro ilustrar essa história assim: há 15 anos, dizia-se muito a expressão "cójalo, cójalo, suéltelo, suéltelo" em Bogotá. Exemplo: um ladrão roubou a carteira de uma senhora. Aí toda a gente gritava: cójalo, cójalo! Uma vez preso, porém, muita gente começava a dizer: no, suéltelo, suéltelo! Deixe-o ir. Isto é, de alguma maneira, a sociedade sentia que a situação era tão injusta que a polícia não tinha nem autoridade moral nem legitimidade para poder prender e castigar esses delinquentes. Mas a atitude mudou nestes últimos tempos. As pessoas precisam respeitar um governo, e não temê-lo. Nesse sentido, o papel do Estado é estar presente, em todos os cantos da cidade. Que não haja rincões que fiquem à margem. Essa presença não se refere só à polícia, mas a projetos de educação, saúde e demais serviços sociais, atendendo a todas as tarefas que deve atender. Afinal, segurança não é só assunto de polícia.
A íntegra.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Minha Casa Minha Vida e a impermeabilização das cidades

"Dá calafrios imaginar que o modelo de incentivo à construção do governo Lula e do governo Dilma é parecido com o modelo do governo Medici. [...] Expandir as cidades ad infinitum em um momento em que a taxa de natalidade está abaixo do nível de reposição implica cair na armadilha norte-americana de abandonar o centro. Isto só faz sentido na lógica do capital imobiliário que precisa continuar comprando terra barata e vendendo caro. E se for para fazer apartamentos de R$ 50 mil, que seja sem risco. A raiz desta ideia é a mesma em Belo Monte, no PAC ou no Minha Casa Minha Vida: tudo se resolve com mais asfalto e mais cimento." Vale a pena ler o artigo na íntegra.

Da revista Fórum.
O paradigma do asfalto
Por Fernando Luiz Lara.
[...] Demoramos quase um século para aprender que favela não é um problema, mas sim uma solução precária e incompleta. Mas a maior ironia (para não dizer tragédia) é perceber que o modelo persiste, agora rebatizado de Minha Casa Minha Vida. São R$ 12 bilhões por ano para construir habitação preferencialmente para famílias cuja renda esteja abaixo de R$ 1.600. Mas basta uma análise preliminar das diretrizes de financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF) para perceber o atraso conceitual do programa. Para começar, a CEF dita um valor máximo de financiamento de R$ 58 mil por unidade no caso de SP e DF (os mais caros). Descontado o custo da construção (aproximadamente R$ 1 mil por m² ou cerca de R$ 45 mil por apartamento) sobram R$ 13 mil para pagar o terreno e todas as obras de infraestrutura interna, incluindo escadas e caixas d'água, por exemplo, que são, há de se convir, absolutamente fundamentais. No caso da infraestrutura externa ao edifício, cabe à prefeitura (quase sempre) ou às construtoras (absolutamente nunca) pagar por tudo. É como se calçadas, pontos de ônibus, áreas de lazer, parquinhos, campos de futebol ou mesmo a simples arborização fossem luxos e não componentes essenciais de qualidade de vida. Como no velho BNH, a CEF financia as construtoras e repassa a dívida na forma de hipotecas para os moradores qualificados. Como no velho BNH, as construtoras não têm nenhum risco. Elaboram projetos simplistas, muitas vezes cópias de desenhos que a própria CEF fornece. Compram terrenos baratos na periferia longínqua, aprovam um arruamento básico a ser executado com o uso de apenas uma máquina motoniveladora, convencem a prefeitura a estender as redes de água, luz e esgoto e constroem as casas ou apartamentos da forma mais barata e mais rápida possível. Terminada a obra e recebido o dinheiro, o lucro é simples, o risco é mínimo. A conta de verdade cai no colo da prefeitura, que no futuro próximo vai ser pressionada a fornecer toda a infraestrutura que devia ter sido feita junto com as unidades habitacionais. Praças, quadras de esporte, calçadas, linhas de ônibus, sinais de trânsito, escolas, creches, clínicas e parques. Tudo isso vai demorar anos, talvez décadas para ser construído, com efeitos negativos na qualidade de vida, na saúde e na produtividade de quem mora aí. E o primeiro a chegar vai ser o asfalto. Antes da creche ou do posto de saúde, antes do parque e infelizmente antes das árvores, chega o asfalto. O que não é de se estranhar, dado que os moradores das periferias das grandes cidades passam em média três horas por dia em ônibus e vans, um custo altíssimo que não é nunca computado nesta equação. Enquanto os centros das grandes cidades se esvaziam a olhos vistos, continuamos com esta expansão irracional.
A íntegra.

sábado, 31 de julho de 2010

Os inimigos da qualidade de vida

A qualidade de vida nas grandes cidades tem dois grandes inimigos: a indústria automobilística e a indústria da construção civil. Os carros entopem as ruas, engarrafam o trânsito, poluem o ar com fumaça, buzinas, alarmes e rugir de motores. A construção civil acaba com os espaços públicos e com as construções horizontais, civilizadas. No entanto, os dois setores são celebrados pelos governos e pela "grande" imprensa, pois quando vão bem é sinal de que há crescimento econômico. A população se endivida para comprar um carro último modelo e realizar o sonho da casa própria. Só um novo modelo econômico, que privilegie a qualidade de vida e a relação equilibrada dos seres humanos com o meio ambiente pode mudar essa situação que caminha para catástrofes cada vez maiores.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A praça da Coca-Cola e da Fifa

A Praça JK foi transformada num grande painel de propaganda da Coca-Cola. Parte da pista de caminhada foi ocupada com estrutura da cerca que reservou a área para o evento da Fifa. Pelo visto, não sou o único a protestar. Este é o conceito que a atual administração de Belo Horizonte, a mesma que proibiu o uso da Praça da Estação pela população, tem dos espaços públicos. Espaços para serem alugados à iniciativa privada, para gerar renda para a prefeitura. O prefeito Lacerda não aproveitou nada da conversa que teve com Enrique Penãlosa.








quinta-feira, 10 de junho de 2010

Artecon transforma passeio em depósito

A situação dos passeios é curiosa. Os moradores não cuidam deles, pois são áreas públicas, mas se apossam deles quando precisam, como se fossem áreas particulares. O melhor exemplo é a construção civil, que transforma passeios em canteiros de obras e depósitos, como esta obra da Artecon, na Rua Campanha, Bairro do Carmo. Quando não é aço, é tijolo. Na cidade sem lei, a prefeitura não toma conhecimento.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Obstáculo na pista de caminhada da Praça JK

O desrespeito ao pedestre é cultural. Na Praça JK (chamar de parque aquele espaço é um exagero), um evento ocupou e cercou uma grande área, mas não era o bastante: fechou também uma das pistas de caminhada. Por quê? Não era preciso, é só porque não se tem mesmo consideração pelo pedestre – nem pelo pedestre que faz caminhada. Informam-me que o "evento" é a transmissão dos jogos da Copa do Mundo, patrocinada pelo Coca-Cola, o que significa que ficará assim durante mais de um mês.

terça-feira, 1 de junho de 2010

A árvore cocozenta

Algumas crianças a chamam de árvore cocozenta, outras, de árvores xixizenta. É a árvore privada da Rua Campanha. Um belo flamboyant, imenso, que ensombra a rua com seus galhos e folhagens. O tronco largo forma, com as raízes expostas, uma espécie de assento que acumula lixo e mau cheiro, daí o apelido que ganhou. Merecia estar em outro lugar que não o passeio, do qual só deixou um cantinho livre.

sábado, 29 de maio de 2010

Para não atrapalhar o trânsito, operações barulhentas agora são noturnas

Achei esse vídeo na rede. Não é em Belo Horizonte, é em Brasília, mas me lembrou a novidade dos caminhões de lixo funcionando de madrugada. Construções também: dias desses a BHTrans coordenou uma operação na minha rua para transporte de uma máquina pesada num caminhão imenso . Durou quase duas horas, das onze da noite à uma da manhã. Para não atrapalhar o trânsito. O descanso dos moradores não tem importância. Parece que está se tornando norma nas grandes cidades brasileiras.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ópera no Mercado Central

Tudo a ver com este blog: apropriação dos espaços públicos pelos cidadãos. A inesperada e surpreendente ópera no Mercado Central numa manhã de sábado (8/5/10).

terça-feira, 11 de maio de 2010

Carga, descarga e estacionamento















Um problema que tem em toda parte: a loja (neste caso, a Persi Max, na Rua Pium-í) derruba o muro e usa a frente do imóvel como estacionamento. Acontece que no espaço não cabe nem mesmo um pequeno Uno, o que dizer de uma caminhonete de transporte de carga. Às vezes não sobra nem um cantinho para o pedestre passar.

domingo, 9 de maio de 2010

Por que os tapumes avançam tanto nos passeios?

Esta obra, no fim da Rua Pium-í, quase esquina com Avenida Bandeirantes, envolve dois prédios, num dos quais morava o vice-presidente da República, José Alencar. Não dá para saber o que será feito, mas o tapume tomou grande parte do passeio. No ponto em que há um poste, quase nada sobrou para a passagem dos pedestres. Sem falar da caçamba.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Organizações políticas arcaicas

O sistema de representação política da sociedade brasileira é arcaico. A população se multiplicou e se concentrou em cidades gigantescas. Hoje, um bairro de uma megalópole tem a população de uma cidade, mas continuamos sendo governados por um prefeito e uma câmara de vereadores. Eles nem imaginam o que se passa num bairro e a administração pública não tem a menor capacidade de dar resposta aos problemas locais, antes resolvidos pelos próprios moradores, poucos, que se conheciam, hoje anônimos. Essa obsolescência do modelo de representação nos dá a sensação de abandono e de distanciamento dos nossos representantes, que sequer conhecemos. Como se a política fosse assunto exclusivo desses 42 cidadãos eleitos de quatro em quatro anos. Quantas vezes, em 2009, qualquer um de nós falou com o vereador no qual votou em 2008 (se é que elegeu seu candidato)? Qual de nós já viu o prefeito pessoalmente? Quem sabe quem é o "administrador regional" do seu bairro? A gente não mora apenas num país, num estado, numa cidade, a gente mora efetivamente num quarteirão, numa rua, num bairro. Na verdade, cada vez mais a gente vive nos dois extremos: num bairro (porque a cidade ficou grande demais) e no planeta (porque o mundo ficou pequeno com as telecomunicações, com a informática, com os aviões, com a economia globalizada e com as mudanças climáticas). Os problemas que nos atingem ou são universais ou estão perto das nossas casas (cada vez mais apartamentos) e não há ninguém para resolvê-los, nem numa esfera nem noutra. Na esfera local, 41 vereadores para representar 2,4 milhões de pessoas não são só um número ridículo, são também um modelo político arcaico, assim como é insuficiente um prefeito para uma cidade tão grande. Por que essa concentração de poder? Por que não temos câmaras de bairros, administradores de quarteirões? É o mínimo de organização administrativa que o crescimento das cidades exige.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Outro caso típico

Na Avenida Bandeirantes, o passeio aparentemente é enorme e o piso não é dos piores, mas se repararmos bem, não sobra espaço para o pedestre. Belas árvores frondosas, que enfeitam, dão sombra e oxigenam a selva de concreto, ocupam bem mais de um metro de largura. O projeto arquitetônico recuou o prédio, mas o recuo é ocupado por carros e motos, comumente mais do que na foto. E tem também lixo. É um bom exemplo de como o passeio é lugar para tudo, menos para o pedestre.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Bonito, mas inadequado

Quando eu falei de um passeio bonito estava me referindo a este, em frente ao Butiquim Mineiro, que recebeu cuidados de paisagismo, como se pode observar. Uma graminha simpática, bom piso e o toco de uma árvore transformado em canteiro, com flores delicadas. No entanto, só restou um cantinho para o pedestre passar, seguindo a guia, junto aos cactos. Os passeios da cidade estão cheios de tocos de árvores; árvores são cortadas, sabe-se lá por que, mas isso não se reverte em vantagem para o pedestre, porque o obstáculo continua ali. Se o distinto bar se mostrasse sensível à passagem, por exemplo, de um cadeirante, estaria perfeito.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O que é passeio livre

É obrigação da prefeitura garantir passeios livres para os cidadãos, assim como garante o bom asfalto para os carros. O que entendo por passeio livre? Uma faixa mínima de 1,2m (um metro e vinte centímetros) completamente desimpedida (sem árvores, sem canteiros, sem postes, sem lixo, sem lixeiras, sem caixa de correio, sem orelhão, sem abrigo de ônibus, sem placas de propaganda, sem tapume ou obra de construção civil, sem banca de revista, sem mesa de bar, sem casinha de motorista de ônibus, sem veículos estacionados ou qualquer outro obstáculo), com piso regular, seguro, padronizado. Isto não significa banir árvores, canteiros, lixos, mesa de bar etc., significa colocá-los além dessa faixa, alinhando-os e, se for preciso, retirando um pedaço do enorme espaço de asfalto destinado aos carros. Quem tem competência para manipular imagens virtuais pode pegar uma foto de passeio de hoje, simular um passeio limpo e comparar a diferença. É a diferença entre a civilização e a selva.

Cuidar dos passeios é obrigação da prefeitura

Tem um argumento que é sempre levantado pelas autoridades para justificar as péssimas condições dos passeios: cuidar deles é responsabilidade dos moradores. Ou seja: se o passeio está ruim é porque o morador não cuida do pedaço que fica em frente à sua casa ou seu edifício. Acho que é um argumento ruim, porque significa que a prefeitura não tem nada com isso, quando ela é responsável pela aplicação da lei e, portanto, pela fiscalização, por eventuais multas. Como no Brasil a impunidade é a regra, fica por isso mesmo, como na foto acima, de um passeio na decantada Avenida Bandeirantes. É preciso mudar o esdrúxulo raciocínio: assim como é responsável pelo caminho dos carros, a prefeitura também é responsável pelo caminho dos pedestres. Ou somos menos importantes do que os carros? É obrigação da prefeitura garantir passeios livres para os pedestres, da mesma forma que garante o bom asfalto para os motoristas.

Ainda na Pium-í: um caso típico

Este é um caso bastante comum nos nossos belos passeios. A árvore, protegida por uma alvenariazinha, ocupa mais da metade do passeio. O prédio, que certamente adora o verde, fez mais um canteiro de uns quarenta centímetros (em geral, esses canteirinhos no passeio são de um arbusto cheio de espinhos; por quê? Provavelmente para afastar os pedestres). Sobrou meio metro para o pedestre passar, espaço insuficiente, por exemplo, para um cadeirante. Ou para duas pessoas passarem ao mesmo tempo. Para completar, um monte de lixo. Por que o lixo não é colocado no asfalto, junto do meio-fio? Por que as lixeiras, que os belo-horizontinos prezam tanto, não são afixadas no mesmo lugar? Os carros não deixam? Neste caso, não faz muita diferença (a não ser emporcalhar a calçada), porque a árvore já impede mesmo a passagem, mas em muitos lugares é só a montanha de lixo que fecha o passeio.

Do outro lado da rua

Adiante tinha mais uma obra, do outro lado da rua. O pedestre muda de calçada e depois tem que mudar outra vez. Carrinho de bebê, cadeirante, idosos não passam.

Subindo a Rua Pium-í

Andar em qualquer rua de Belo Horizonte é presenciar uma série de desrespeitos ao pedestre. Nós é que já nos acostumamos e nem percebemos. Na Rua Pium-í, levei a câmara comigo e fui clicando, das piores às menores coisas, algumas até bonitas, mas ainda assim desrespeito ao pedestre. Esta, na foto abaixo, é das mais comuns: o passeio transformado em canteiro de obra.

Poda de árvores fecha o passeio





Um quarteirão inteiro com galhos e folhas fechando o passeio. Está certo, as árvores precisam ser podadas, o transtorno é inevitável. O que me incomoda é o desrespeito com o pedestre, obrigado a passar na rua. Pelo menos deveria ser delimitada aquela área com cones. Alguém imagina isso sendo feito com os carros? Durante uma manhã, sem aviso prévio, um caminhão estaciona, funcionários sobem em escadas, podam e enchem o asfalto de galhos; os carros, impedidos de passar, que desviem, busquem outras ruas, esperem. Não, com carros não se faz isso, a BHTrans chega, sinaliza, prega faixas com antecedência, avisa, deixa funcionários orientando o trânsito. É isso que eu não entendo: por que os carros recebem atenção das autoridades e os pedestres, não. Temos uma (grande) empresa para gerenciar o trânsito de veículos, com milhares de funcionários, gastam-se milhões em tecnologia, bilhões em oubras viárias, manutenção. E para os pedestres? Não há um órgão, uma política, um realzinho que seja destinado a melhorar as condições de trânsito para o pedestre.

domingo, 25 de abril de 2010

Lixo e garagem

Na Rua Loreto Couto, no Bairro Santa Maria, o passeio é garagem de uma kombi, do lado de uma pilha de entulho.
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